Na última segunda-feira (01), o procurador do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) e titular da Coordenadoria do Meio Ambiente, Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, participou do Seminário Pré-COP30 “Saneamento e Mudança Climática: Diretrizes das Empresas de Água e Esgoto para o enfrentamento de eventos anormais”, realizado no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, em Manaus.
Promovido pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (AESBE) e pela AESabesp, em parceria com a Cosama e a Abes-AM, o encontro reuniu especialistas, gestores e representantes de companhias de saneamento de todo o país, com o objetivo de discutir como o setor pode se adaptar aos impactos da crise climática e contribuir com propostas para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro deste ano.
Impactos da mudança climática no saneamento
As mudanças climáticas já estão impactando diretamente os serviços de saneamento no Brasil. Secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor têm comprometido tanto a disponibilidade quanto a qualidade da água, além de sobrecarregar sistemas de esgotamento sanitário.
Em Manaus, a situação é ainda mais delicada. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, a capital está entre os piores municípios do país em saneamento básico, ocupando a 87ª posição no Ranking Nacional de Saneamento 2025, entre as 20 piores cidades avaliadas.
Sobre esse cenário, o procurador Ruy Marcelo destacou:
“O déficit de saneamento no Amazonas é um cenário muito desafiador por si só. Menos de 30% da população tem tratamento de esgoto. No interior, o abastecimento de água é precário, de má qualidade e sujeito a contaminações e não há rede de esgotos salvo em Maués. Mas esse desafio torna-se ainda maior com as mudanças climáticas, porque estas impactam seriamente os sistemas de saneamento básico, a segurança hídrica e as regiões mais vulneráveis das cidades. Enchentes e chuvas podem sobrecarregar redes de drenagem, aumentar a poluição hídrica e colapsar estruturas de saneamento. Secas severas podem comprometer o acesso, por exemplo. ”
De acordo com o relatório “Saneamento e Mudança Climática: Diretrizes das Empresas de Água e Esgoto para o Enfrentamento de Eventos Anormais”, lançado pela Aesbe e apresentado no seminário, as principais vulnerabilidades do setor estão ligadas à redução da disponibilidade hídrica, à deterioração da qualidade da água e aos danos estruturais causados por eventos extremos.
O documento propõe 60 diretrizes para preparar o setor frente à crise climática, incluindo medidas preventivas e emergenciais como: elaboração de planos de contingência e racionamento; proteção e recuperação de bacias hidrográficas; uso de tecnologias avançadas no tratamento da água; redução de perdas no sistema de distribuição; investimentos em infraestrutura resiliente para resistir a secas, enchentes e ondas de calor.
Segundo o presidente da Aesbe, Neuri Freitas, o saneamento tem papel estratégico na construção de um futuro mais resiliente e sustentável:
“No contexto global de intensificação dos impactos das mudanças climáticas, o saneamento brasileiro se vê desafiado a se adaptar e inovar para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população. Por isso, este documento, intitulado “Saneamento e Mudança Climática: Diretrizes das Companhias de Água e Esgoto para o enfrentamento dos impactos”, representa um marco no nosso trabalho conjunto, visando preparar o setor para os desafios trazidos pelas mudanças climáticas.”
Para acessar o relatório: “Saneamento e Mudança Climática: Diretrizes das Empresas de Água e Esgoto para o Enfrentamento de Eventos Anormais” clique aqui.





