Qualidade do ar permanece comprometida em Manaus e no interior; focos de outubro superam o mesmo período de 2025
O Amazonas mantém um quadro de preocupação ambiental pela elevada concentração de material particulado fino na atmosfera. Estações do SELVA indicam qualidade do ar muito ruim e péssima em Manaus e em municípios do interior. Embora as chuvas recentes possam proporcionar alívio localizado, a redução das detecções por satélite ainda não comprova controle dos incêndios.
Segundo a série do satélite de referência AQUA_M-T, disponibilizada pelo INPE, o Amazonas registrou 644 focos entre 1º e 7 de outubro de 2026, contra 277 no mesmo período de 2025, aumento de 132,5%. No acumulado de janeiro a 7 de outubro, foram 6.901 registros em 2026, ante 3.559 no período equivalente de 2025, crescimento de 93,9%. O acumulado parcial deste ano também supera em 51,8% os 4.545 focos registrados durante todo o ano de 2025, comparação que envolve períodos de duração diferente.
Na evolução recente, a janela de 5 e 6 de outubro somou 290 focos, enquanto a de 6 e 7 de outubro apresentou 90, redução de 69%. O arquivo consultado não apresentou detecções do satélite de referência em 7 de outubro. Esse resultado exige confirmação por novas passagens, pois nebulosidade, resolução dos sensores e horários de observação podem dificultar a identificação do fogo. Focos de calor não equivalem, necessariamente, ao número de incêndios distintos ou à área queimada.
Fontes: INPE — Situação Atual: https://data.inpe.br/queimadas/situacao_atual/
Estatísticas do Amazonas: https://data.inpe.br/queimadas/estatisticas/?tipo=estados&item=amazonas
Na Região Metropolitana, o Monitor BETA da UFAM, atualizado em 7 de outubro, às 21h46, apresentava oito eventos classificados como ativos, distribuídos por Itacoatiara, Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo, Manacapuru e Careiro. O projeto acompanha 12 municípios utilizando dados de satélites da NASA. Seus resultados complementam o INPE, mas não são diretamente comparáveis, pois diferem os territórios, sensores, horários e critérios de agrupamento.
Fonte: https://ufamcca.github.io/MonitorBETA/
A qualidade do ar permanece comprometida em diversas localidades. Na consulta às estações reais do SELVA, Rio Preto da Eva apresentou 428,8 µg/m³ de PM2,5; Careiro, 321,8; Careiro da Várzea, 178,8; Iranduba, 174,1; Autazes, 172,1; e uma estação em Manaus, 140,5 µg/m³. Todos esses valores estão na faixa “péssimo” da escala exibida pelo sistema. As leituras são de 8 de outubro, entre 7h51 e 8h12, horário de Manaus.
Na captura do aplicativo realizada às 8h19, Itacoatiara apresentava 107,2 µg/m³ e Maués, 119,3 µg/m³, ambos na faixa “muito ruim”. O ponto identificado em Urucurituba registrava 172,2 µg/m³, condição “péssima”. Silves, com 52,5, e Urucará, com 66,4 µg/m³, apresentavam condição “ruim”.
Os números representam leituras locais, sujeitas a variações entre estações e horários, e não médias municipais ou de 24 horas. A captura não informa a atualização individual de cada sensor. O SELVA informa caráter indicativo, sem finalidade regulatória. A identificação precisa da origem e do transporte das plumas exige cruzamento com focos, imagens de satélite e circulação atmosférica.
Fonte: https://www.appselva.com.br/
Para Manaus, o INMET não indica chuva nos dias 8 e 9 de outubro, mantendo previsão de calor persistente, com máximas de 37°C e umidade mínima de 35% e 30%, respectivamente. Para sábado, 10 de outubro, há possibilidade de chuva isolada, ainda com máxima de 37°C. No domingo, a previsão indica pancadas de chuva e trovoadas isoladas.
Fonte: INMET — previsão por capital, selecionar Manaus: https://previsao.inmet.gov.br/ (consultada na manhã de 8 de outubro).
No conjunto do estado, a previsão para quinta-feira concentra chuva com trovoadas no centro, oeste, sul e noroeste, com possibilidade de chuva isolada no sudeste. Na sexta-feira, as instabilidades ficam principalmente no oeste e noroeste. O leste do Amazonas permanece predominantemente quente e seco, sem indicação de chuva ampla nesses dois dias.
Fonte: INMET — previsão para 8 e 9 de outubro, publicada em 7 de outubro: https://portal.inmet.gov.br/noticias/previs%C3%A3o-para-quinta-feira-8-e-sexta-feira-9
Eventuais pancadas podem reduzir temporariamente as partículas e umedecer a vegetação onde ocorrerem. Entretanto, não garantem dispersão regional da fumaça ou controle dos incêndios: o efeito depende da abrangência e duração da chuva, da continuidade das emissões e dos ventos. A previsão confirma calor persistente, sem que isso, por si só, caracterize uma onda de calor oficialmente reconhecida para Manaus.
Na hidrologia, as últimas medições confirmadas, de 7 de outubro, indicavam continuidade da vazante. O Rio Negro, em Manaus, estava em 18,05 metros, com queda diária de 10 centímetros; Tabatinga, no Alto Solimões, em 2,54 metros, com recuo de 16 centímetros; e Iquitos, em 78,57 metros, com descida de 7 centímetros. As cotas utilizam referências locais e não são diretamente comparáveis. Repiquetes anteriores não significam encerramento da vazante.
Fontes: Porto de Manaus: https://portodemanaus.com.br/nivel-do-rio-negro/
Proa Manaus: https://proamanaus.com.br/nivel-dos-rios
O quadro exige monitoramento frequente da qualidade do ar, comunicação de risco e proteção da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis. Escolas e unidades de saúde devem avaliar atividades externas e condições dos ambientes conforme as leituras locais. Combate ao fogo e fiscalização precisam considerar a persistência das frentes e a proximidade de comunidades, além das contagens de satélite.
Permanece relevante o risco combinado de fogo, fumaça e calor, especialmente onde houver baixa umidade e circulação desfavorável. A confiança é maior nas comparações históricas do INPE e nos valores registrados pelos sensores; é menor quanto à duração e ao deslocamento das plumas e à manutenção do alívio após chuvas localizadas.





