Boletim de 13 de outubro – Risco atmosférico no Amazonas

Alerta — focos voltam a crescer no centro-leste; poluição permanece crítica no interior

O que mudou. Após a forte queda observada no dia anterior, o satélite oficial de referência AQUA_M-T registrou 186 focos no Amazonas em 12 de outubro, contra 46 em 11 de outubro — aumento de aproximadamente 304%. A atividade concentrou-se em Autazes (30), Boa Vista do Ramos (24), Itacoatiara (15), Nhamundá (14), Parintins (13), Urucará (11), Novo Aripuanã e São Sebastião do Uatumã (10 cada). Manaus teve um foco. A concentração das detecções no centro-leste e no baixo Amazonas representa mudança operacional relevante.

No acumulado de 2026 até 12 de outubro, o Amazonas chegou a 7.815 focos, ante 3.611 no mesmo intervalo de 2025, crescimento de cerca de 116% — mais que o dobro. Os números são do Programa Queimadas do INPE e utilizam o satélite de referência para comparações temporais.

Região Metropolitana. O MonitorBETA da UFAM, que acompanha treze municípios com metodologia multissatélite, indicava às 4h08 apenas dois eventos classificados como ativos, ambos em Manaquiri, contra 75 na leitura anterior. Registrava, contudo, 922 detecções nas últimas 48 horas, das quais 314 vinculadas a eventos ainda ativos. A aparente melhora metropolitana não contradiz o aumento estadual do INPE: as plataformas abrangem áreas, horários, satélites e critérios distintos, e a extinção apontada pela UFAM é estimada.

Qualidade do ar. O SELVA — Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental — é um produto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A leitura da plataforma entre 8h55 e 9h mostrou melhora importante em Manaus e seu entorno, com estações visíveis aproximadamente entre 39 e 63 µg/m³ de PM2,5, nas faixas moderada e ruim, após valores superiores a 130 µg/m³ no dia anterior. O ar, portanto, melhorou, mas não está plenamente normalizado.

O quadro permanece muito mais grave no interior: estações indicavam aproximadamente 324 µg/m³ em Autazes, 154–160 em Itacoatiara, 147 em Maués, 134 em Urucurituba, 156 em São Sebastião do Uatumã e 154 na região de Rio Preto da Eva. Pela escala do próprio SELVA, vários desses valores correspondem à condição péssima, indicando poluição elevada e exposição potencialmente lesiva à saúde. São sensores de baixo custo e leituras locais instantâneas, úteis para vigilância rápida, mas não equivalentes a estações regulatórias nem a médias municipais ou de exposição de 24 horas.

Tempo e tendência. O INMET mantém nesta terça-feira alerta amarelo de baixa umidade, com possibilidade de índices entre 20% e 30%, sobretudo no leste. Para 14 de outubro, há aviso de chuvas intensas incluindo Manaus, com possibilidade de 20–30 mm/h, até 50 mm no dia e rajadas de 40–60 km/h. A chuva poderá remover temporariamente partículas e reduzir alguns incêndios, mas sua distribuição deverá ser irregular. Rajadas também podem deslocar plumas para outras localidades. O calor continua elevado, com máximas previstas próximas de 35–36 °C em Manaus e potencial de 37–40 °C no leste nos próximos dias.

Rios. A vazante prossegue. O Rio Negro marcou 17,62 metros em Manaus nesta manhã, recuo diário de oito centímetros e queda acumulada de 10,89 metros. No Alto Solimões, os últimos dados disponíveis, de 12 de outubro, mostram Tabatinga em 2,02 metros e Iquitos em 78,57 metros, ambos novamente em queda. Não há evidência de encerramento da vazante.

Avaliação. Há uma melhora atmosférica parcial em Manaus e recuo dos eventos ativos detectados pela UFAM na Região Metropolitana. Entretanto, o aumento dos focos estaduais, sua concentração no centro-leste, a poluição péssima em diversas cidades e a persistência do calor e da baixa umidade mantêm risco composto elevado. A possibilidade de chuva representa alívio provável, mas ainda localizado e insuficiente para caracterizar controle regional.

Prioridades operacionais. Reforçar combate e fiscalização no eixo Autazes–Itacoatiara–Boa Vista do Ramos–Nhamundá–Parintins–Urucará; divulgar leituras frequentes de PM2,5; restringir esforço externo de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias nas cidades em condição muito ruim ou péssima; e reavaliar atividades escolares externas. Manaus deve manter vigilância, pois a circulação pode transportar novamente fumaça do centro-leste.

Impactos financeiros e passivos potenciais. A retomada dos incêndios, acompanhada de poluição elevada, indica risco de aumento dos custos de combate, fiscalização e atendimento à saúde, além de despesas futuras com recuperação ambiental e assistência às populações atingidas. A continuidade favorece a acumulação de passivos socioambientais e pressões sobre os orçamentos de Defesa Civil, saúde e clima. Os resultados recomendam avaliar se os recursos mobilizados produzem proteção proporcional à gravidade da crise. Os dados ambientais, isoladamente, porém, não demonstram desperdício ou ineficácia: sem informações oportunas sobre execução orçamentária, cobertura das operações e danos evitados, trata-se de estimativa qualitativa de risco fiscal, sem valor monetário atribuível.

Confiança. Alta para o aumento dos focos e a continuidade da vazante; moderada a alta para a distribuição atual da poluição; moderada para o alívio pelas chuvas, em razão de sua provável irregularidade.

Dados consultados entre 8h50 e 9h15 de 13 de outubro de 2026, horário de Manaus.

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