Menos detecções de fogo mas poluição volta a piorar em Manaus
Focos no Amazonas. O INPE registrou 50 focos pelo satélite de referência AQUA_M-T em 13/10, contra 186 em 12/10 — redução de aproximadamente 73%. Os dois dias somam 236 registros. As detecções de ontem concentraram-se em Lábrea (24), Manicoré e Boca do Acre (6 cada), Ipixuna (5), Canutama (4), Humaitá (3) e Guajará (2). A passagem do AQUA ocorreu por volta das 16h06, horário de Manaus.
O recuo indica menos detecções, mas não comprova extinção das frentes: nuvens, cobertura e horários dos satélites interferem na observação. O acumulado estadual até 13/10 alcançou 7.865 focos, contra 3.639 no mesmo intervalo de 2025, aumento de aproximadamente 116%. A comparação utiliza períodos equivalentes, e não o total anual de 2025.
Manaus e entorno pela UFAM. O MonitorBETA, atualizado às 4h08 de hoje, indicava um evento classificado como ativo, em Manaus, contra dois na atualização anterior. A janela de 48 horas reunia 499 detecções multissatélite, ante 922 anteriormente. São eventos agrupados em um recorte regional; não equivalem aos focos estaduais do AQUA. A classificação de extinção permanece estimada.
Qualidade do ar pelo SELVA da UEA. O SELVA — Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental — é um produto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A redução das detecções não trouxe normalização da atmosfera. A estação UEA_EducAIR_31, em Manaus, registrou PM2,5 de 166,3 µg/m³ às 8h03, condição péssima na escala do SELVA. A estação UEA_EDUCAIR_2 marcou 117,2 µg/m³, condição muito ruim, também às 8h03. Esses registros mostram piora em pontos da capital em relação às leituras apresentadas ontem pela manhã.
No interior, o SELVA registrava nesta manhã 189,4 µg/m³ de PM2,5 em Itacoatiara, na estação SEMA_DCAM_36, às 8h16, e 168,6 µg/m³ em Autazes, na estação SEMA_DCAM_08, às 8h13. Ambos correspondem à condição péssima. Em Parintins, a estação UEA_EducAIR_19 registrou 68,4 µg/m³ às 8h16, condição ruim. O mapa também mostrava aproximadamente 203 µg/m³ em Manaquiri e 163 µg/m³ em Urucurituba na consulta inicial desta manhã. Os registros reforçam a necessidade de proteção sanitária também fora da capital.
São medições locais de sensores de baixo custo, não médias municipais ou de exposição durante 24 horas. A rede fornece indicações rápidas para vigilância, com limitações de desempenho e manutenção. A classificação utilizada neste boletim é a apresentada pelo próprio SELVA.
Impactos sobre a educação. Com a manutenção da suspensão das aulas presenciais na rede municipal de Manaus também nesta quarta-feira, 14 de outubro, o acumulado chega a três dias letivos afetados pela fumaça: 9, 13 e 14/10, incluindo o ensino fundamental. A interrupção demonstra os impactos da poluição sobre a continuidade do ensino, a rotina das famílias e o funcionamento dos serviços públicos. O acumulado não inclui fins de semana ou o feriado de 12 de outubro.
Ranking mensal e fontes de fumaça a leste. No ranking nacional do INPE consultado nesta manhã, referente ao acumulado de outubro até 13/10, Lábrea aparece em sexto lugar, com 249 focos, e Boca do Acre em décimo, com 186.
Sete das dez primeiras posições são de municípios paraenses: Altamira (444), São Félix do Xingu (426), Uruará e Itaituba (324 cada), Santarém (228), Aveiro (204) e Óbidos (192). Essa concentração identifica importantes fontes potenciais de fumaça a leste e sudeste do Amazonas. Sua contribuição para a poluição amazonense depende da circulação atmosférica; nesta consulta, não foi possível confirmar trajetórias que permitam atribuir a pluma de Manaus a municípios específicos.
Chuva e calor. O INMET tem aviso amarelo de chuvas intensas para Manaus hoje, 14/10, válido até 22h59, com possibilidade de 20–30 mm/h ou até 50 mm no dia, além de rajadas de 40–60 km/h. O aviso sinaliza possibilidade de ocorrência, sem garantir chuva uniforme em toda a cidade.
A previsão consultada aponta máximas próximas de 34 °C hoje e 35 °C amanhã, com tempestades em partes da região, e 37 °C na sexta-feira, 16/10. A chuva poderá proporcionar alívio localizado; a melhora do ar deve ser confirmada pelos sensores após sua ocorrência. Não foi confirmada nesta consulta uma previsão probabilística atualizada para todo o horizonte de quinze dias.
Rios. O Porto de Manaus atualizou a cota do Rio Negro para 17,52 metros em 14 de outubro, com queda de dez centímetros em relação ao dia anterior, confirmando a continuidade da vazante em Manaus. No Alto Solimões, os últimos registros consultados, de 13/10, mostram Tabatinga em 2,10 metros, após subida de oito centímetros, e Iquitos em 78,41 metros, após queda de dezesseis centímetros. O repiquete em Tabatinga ainda não caracteriza reversão sustentada da vazante regional.
Prioridades. Manter combate e fiscalização no sul e sudoeste, especialmente em Lábrea; acompanhar a poluição em Manaus e no centro-leste; reduzir atividades físicas externas nas áreas com ar muito ruim ou péssimo; e proteger crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. Escolas e unidades de saúde devem reavaliar atividades externas e disponibilizar ambientes com ar filtrado quando possível. A chuva prevista acrescenta atenção a rajadas, descargas elétricas e alagamentos.
Impactos financeiros e passivos potenciais. A persistência da poluição, apesar do recuo nas detecções, mantém o risco de despesas adicionais com combate, fiscalização, atendimento à saúde, assistência e recuperação ambiental, além de pressões sobre os orçamentos de Defesa Civil, saúde e clima e acumulação de passivos socioambientais. Os resultados recomendam avaliar se os recursos mobilizados produzem proteção proporcional à gravidade da crise. Os indicadores ambientais isolados não demonstram desperdício ou ineficácia dos gastos: sem informações oportunas de execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, permanece uma estimativa qualitativa de risco fiscal, sem valor monetário atribuível.
Confiança. Alta nas contagens consultadas; moderada na interpretação do recuo como redução efetiva dos incêndios e na extensão espacial da poluição; moderada para alívio localizado pela chuva. A melhora das detecções ainda não corresponde a melhora sanitária em Manaus.
Dados consultados na manhã de 14 de outubro de 2026. Leituras principais do SELVA entre 8h03 e 8h16, horário de Manaus; cota do Rio Negro de 14/10; dados diários do AQUA de 13/10 e atualização da UFAM de 14/10 às 4h08.
Fontes e links
- INPE — Situação Atual e ranking municipal
https://data.inpe.br/queimadas/situacao_atual/ - INPE — arquivo diário de 13 de outubro de 2026
https://dataserver-coids.inpe.br/queimadas/queimadas/focos/csv/diario/Brasil/focos_diario_br_20261013.csv - INPE — comparação anual em períodos equivalentes
https://data.inpe.br/queimadas/portal/csv/download/situacao-atual/estados/7anos.csv - UFAM — MonitorBETA
https://ufamcca.github.io/MonitorBETA/ - SELVA — UEA
https://www.appselva.com.br/ - INMET — avisos meteorológicos
https://avisos.inmet.gov.br/ - INMET — previsão meteorológica
https://portal.inmet.gov.br/ - Prefeitura de Manaus — suspensão em 13 de outubro e referência a 9 de outubro
https://www.manaus.am.gov.br/semcom/nota-aulas/ - Semed — suspensão das atividades em 9 de outubro
https://www.manaus.am.gov.br/semed/not%C3%ADcias/nota/prefeitura-qualidadedoar-suspensaoaulas/ - Proa Manaus — níveis dos rios
https://proamanaus.com.br/nivel-dos-rios - Porto de Manaus — Rio Negro
https://portodemanaus.com.br/nivel-do-rio-negro/





