Manaus chega ao décimo dia consecutivo encoberta por fumaça, segundo o acompanhamento reunido nos boletins. A manhã deste sábado apresenta agravamento expressivo da poluição por material particulado fino, com concentrações extremamente elevadas em estações da capital, de Itacoatiara e de Autazes. A situação exige proteção imediata da população e reforço das operações de combate e fiscalização.
Qualidade do ar pelo SELVA da UEA e pelo IQAir
O SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apresentava às 9h26 de 17/10 concentração de PM2,5 de 514,8 µg/m³ na estação UEA_EducAIR_1, em Manaus. A UEA_EducAIR_32 registrava 486,5 µg/m³ no mesmo horário. Ambas se encontravam na faixa péssima da classificação da plataforma, com forte aumento em relação às leituras de 122,3 e 143,3 µg/m³, respectivamente, verificadas na manhã de 16/10.
Em Itacoatiara, a estação SEMA_DCAM_36 registrava 263,8 µg/m³ às 9h26, contra 64 µg/m³ ontem. Em Autazes, a SEMA_DCAM_08 apresentava 209 µg/m³ às 9h25, contra 94,1 µg/m³ na manhã anterior. As duas localidades também alcançavam a faixa péssima.
Parintins apresentava melhora nas estações verificadas: 48,5 µg/m³ na SEMA_DCAM_47, às 9h26, e 51,9 µg/m³ na SEMA_DCAM_64, às 9h24, correspondentes às faixas moderada e ruim do SELVA. Ontem, essas estações registravam 126,7 e 130,9 µg/m³. A evolução desigual evidencia a necessidade de decisões locais, orientadas pelas estações e seus horários.
O IQAir registrou níveis perigosos de poluição em Manaus nesta manhã de 17 de outubro, com AQI 306 para a cidade e leitura de AQI 720 em uma estação denominada “Manaus”. A capital amazonense ocupava o primeiro lugar no ranking brasileiro de poluição do ar em tempo real da plataforma, na consulta desta manhã. Os valores são índices AQI, e não concentrações de PM2,5 em µg/m³.
As leituras do SELVA são de estações específicas, com sensores de baixo custo e indicação de uso não regulatório. Não equivalem a médias de toda a cidade nem devem ser comparadas diretamente com diretrizes da OMS para médias de 24 horas. SELVA e IQAir podem compartilhar sensores, não constituindo necessariamente redes independentes.
Focos do INPE e ranking mensal
No arquivo diário oficial de 16/10, o satélite de referência AQUA_M-T registrou três focos no Amazonas: dois em Tefé e um em Canutama, contra 188 no dia 15. A soma dos dias 15 e 16 foi de 191 focos, ante 219 nos dias 14 e 15. Essas somas de dias completos não correspondem necessariamente à janela móvel de 48 horas do painel.
A redução das detecções AQUA não demonstra, por si só, redução equivalente dos incêndios. A amostragem depende da passagem, cobertura e condições de detecção. A continuidade de numerosos eventos em outros sensores e sistemas impede interpretar os três registros como quantidade total de incêndios ainda ativos no estado.
O acumulado de 1º a 16/10, calculado nos arquivos diários oficiais com filtro AQUA_M-T, atingiu 1.830 focos no Amazonas, quarto maior total estadual. No ranking nacional municipal, Lábrea ocupava o 9º lugar, com 257; Autazes, o 12º, com 194; Boca do Acre, o 13º, com 189; Itacoatiara, o 20º, com 120; e Novo Aripuanã, o 26º, com 101. No estado, seguiam-se Guajará, com 76; Maués, 58; Boa Vista do Ramos, 55; Manaquiri, 53; Borba, 51; Humaitá, 50; Careiro da Várzea, 46; Careiro, 45; Manacapuru, 42; e Urucurituba, 39.
No Pará, o acumulado no mesmo período foi de 5.922 focos. São Félix do Xingu liderava nacionalmente, com 620; Altamira estava em segundo, com 538; Uruará em terceiro, com 405; Itaituba em quinto, com 344; Portel em sexto, com 288; Aveiro em sétimo, com 268; Santarém em oitavo, com 266; e Óbidos em décimo, com 220. Placas registrava 201, Mojuí dos Campos 181 e Rurópolis 128. As posições e quantitativos referem-se ao mês até 16/10, sem inclusão de dados parciais de hoje.
Monitor da UFAM para Manaus e entorno
O monitor da UFAM, atualizado em 17/10 às 8h06, abrangendo 13 municípios, apresentava 175 eventos classificados como ativos: Autazes, 61; Itacoatiara, 54; Careiro da Várzea, 18; Manaquiri, 14; Careiro, 12; Rio Preto da Eva, cinco; Presidente Figueiredo, quatro; Manacapuru e Manaus, três cada; e Beruri, um.
Na janela móvel iniciada às 8h06 de 15/10, o sistema reunia 2.901 detecções em 363 eventos, dos quais 188 classificados como extintos. A classificação é estimada pelo método do projeto. A atualização anterior consultada, de 16/10 às 4h08, indicava 15 ativos, em outra janela temporal. A diferença recomenda atenção operacional, sem equivaler a 160 novos incêndios comprovados.
O monitor combina dados de diferentes sensores, incluindo VIIRS, MODIS e GOES-19. Seus eventos agrupados e detecções não devem ser somados ou comparados diretamente aos focos AQUA_M-T.
Eventos ativos por município pelo Censipam
Na consulta desta manhã, o Painel do Fogo apresentava 256 eventos ativos e 250 em observação no Amazonas, ante 198 ativos na consulta anterior. Entre os municípios, destacavam-se Autazes, com 46 ativos; Itacoatiara, 37; Maués, 31; Apuí, 17; Careiro, 15; Borba, 14; Nhamundá e Novo Aripuanã, 12 cada; Boa Vista do Ramos, 11; Careiro da Várzea e Manaquiri, nove cada; Parintins e Nova Olinda do Norte, oito cada.
Havia evento com 49 dias de persistência em Boa Vista do Ramos–Urucurituba, outro com 43 dias em Boa Vista do Ramos–Maués e um com 39 dias em Autazes–Careiro da Várzea, com interseção informada com a Terra Indígena Gavião. A detecção mais recente entre os registros amazonenses consultados era de 17/10 às 2h14, horário de Manaus.
Um evento pode abranger mais de um município. A persistência corresponde ao histórico de um agrupamento de detecções, sem comprovar chama contínua durante todo o intervalo. Os quantitativos municipais não devem ser somados para reconstruir o total estadual. Não se atribuem área efetivamente queimada ou grau de severidade com base apenas nesses números.
No Pará, o painel apresentava 850 eventos ativos. Entre municípios relevantes para acompanhar fontes a leste do Amazonas, Altamira tinha 103; Rurópolis, 44; Itaituba, 42; Óbidos, 38; Placas, 37; Oriximiná, 35; Alenquer, 33; Uruará, 31; Aveiro, 27; e Monte Alegre, 23. A detecção mais recente do conjunto paraense era de 17/10 às 7h36, horário de Manaus.
INPE, Censipam e UFAM compartilham parte das fontes de satélite. O INPE mantém a função de referência histórica e ranking; o Censipam acrescenta localização e persistência dos eventos. A contribuição do Pará para a fumaça no Amazonas permanece potencial nesta avaliação, sem atribuição confirmada a municípios específicos por trajetórias atmosféricas.
Chuva, calor e evolução nas próximas 24–72 horas
A previsão consultada aponta calor de até 38 °C em Manaus e cerca de 40 °C em Itacoatiara e Autazes neste sábado. A previsão horária do IQAir para Manaus indicava umidade de aproximadamente 26%–29% nas horas mais quentes. Esses valores são previsões, não medições confirmadas do período vespertino. A combinação de calor, fumaça intensa e fontes emissoras ativas amplia o risco à população.
O INMET, em boletim publicado em 16/10, prevê possível estabelecimento de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul e intensificação de chuvas em áreas da Região Norte até segunda-feira, 19/10, sobretudo no sul do Pará e áreas associadas ao corredor de umidade. Os avisos reproduzidos na consulta meteorológica abrangem Manaus, Itacoatiara e Autazes entre 18 e 19/10, com perigo potencial de chuvas intensas e tempestades, precipitação de 20–30 mm/h ou até 50 mm/dia e rajadas de 40–60 km/h.
Há possibilidade de alívio com a chuva e a ventilação, mas sua distribuição será irregular. Rajadas também podem deslocar fumaça e alterar o comportamento do fogo antes da precipitação. A melhora deve ser confirmada pela queda sustentada do PM2,5 e pela evolução dos eventos, sem desmobilização antecipada.
A confiança é moderada para uma mudança meteorológica nos próximos dois a três dias e menor para sua capacidade de remover duradouramente a fumaça em cada cidade. Não há nesta avaliação previsão probabilística validada da qualidade do ar para todo o horizonte de 15 dias.
Vazante no Alto Solimões e no baixo Rio Negro
No Porto de Manaus, a última cota recuperada era de 16/10: Rio Negro em 17,43 m, com vazante diária de quatro centímetros. A desaceleração não demonstra encerramento da vazante.
Na Proa Manaus, Iquitos apresentava 78,10 m em 17/10, contra 78,14 m no dia anterior. Tabatinga tinha última leitura de 16/10, em 1,94 m, queda de oito centímetros. Santo Antônio do Içá caiu de 2,90 para 2,72 m entre 16 e 17/10. Em Itacoatiara, a cota passou de 4,17 para 4,08 m. As leituras disponíveis indicam continuidade da vazante, e não enchente regional sustentada. As cotas pertencem a réguas com referenciais próprios e não são comparáveis entre si como altitude.
Prioridades operacionais
Saúde e Defesa Civil devem intensificar comunicação de risco, acompanhamento dos atendimentos respiratórios e cardiovasculares e oferta de ambientes com ar filtrado. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes exigem proteção prioritária. As concentrações desta manhã recomendam evitar esforço físico ao ar livre e reduzir a exposição externa.
Escolas devem suspender atividades externas enquanto persistirem concentrações elevadas e avaliar as condições dos espaços internos. A eventual manutenção ou suspensão de aulas presenciais deve observar as decisões das autoridades educacionais e sanitárias e as condições de proteção de cada unidade.
Combate e fiscalização devem priorizar Autazes, Itacoatiara, Maués e os demais municípios com eventos persistentes, considerando comunidades e terras indígenas. Recomenda-se requisitar às prefeituras informações sobre cobertura de brigadas, operações, tempo de resposta, necessidades de apoio e proteção sanitária. A localização dos eventos não comprova, isoladamente, omissão municipal.
A previsão de tempestades exige preparação para rajadas, descargas elétricas e alagamentos, mantendo simultaneamente a vigilância do fogo e da fumaça.
Impactos financeiros e passivos potenciais
A persistência e a retomada dos incêndios, acompanhadas de poluição atmosférica elevada, indicam risco de aumento dos custos de combate, fiscalização e atendimento à saúde, além de despesas futuras com recuperação ambiental e assistência às populações afetadas. A continuidade desse quadro favorece a acumulação de passivos socioambientais e pressões fiscais sobre os orçamentos de Defesa Civil, saúde e clima.
Os resultados observados recomendam avaliar se os recursos mobilizados estão produzindo proteção proporcional à gravidade da crise. Contudo, os dados ambientais, isoladamente, não demonstram desperdício ou ineficácia dos gastos: sem a confirmação oportuna de informações sobre execução orçamentária, cobertura das operações e danos evitados, essa avaliação provisória permanece uma estimativa qualitativa de risco fiscal, sem valor monetário atribuível neste momento.
Confiança e referências temporais
A confiança é alta quanto às leituras elevadas nas estações verificadas e aos totais AQUA_M-T recuperados até 16/10; moderada quanto à interpretação operacional dos eventos agrupados e à evolução meteorológica. A atribuição geográfica das fontes de fumaça permanece incerta.
Boletim de 17/10/2026. SELVA: leituras entre 9h24 e 9h26; IQAir: leitura de 9h, verificada posteriormente nesta manhã; UFAM: atualização às 8h06; INPE: arquivos diários até 16/10; Censipam: consulta na manhã de 17/10, com horários próprios de detecção; hidrologia: datas expressamente indicadas. Todos os horários locais são de Manaus.
Fontes
SELVA/UEA — estações reais — Acessar fonte
IQAir — Manaus — Acessar fonte
INPE — situação atual — Acessar fonte
INPE — arquivos diários oficiais — Acessar fonte
UFAM — Monitor BETA — Acessar fonte
Censipam — Painel do Fogo — Acessar fonte
Censipam — documentação de dados — Acessar fonte
INMET — previsão de 17 a 19/10 — Acessar fonte
Porto de Manaus — Rio Negro — Acessar fonte
Proa Manaus — níveis dos rios — Acessar fonte





