Boletim de 22 de outubro – Monitoramento ambiental

Avaliação geral

Manaus apresenta melhora expressiva da qualidade do ar, confirmada nas estações do SELVA verificadas nesta manhã e pelo IQAir. Entretanto, houve aumento das detecções AQUA no Amazonas e dos eventos ativos identificados pela UFAM em Manaus e entorno. O alívio atmosférico exige acompanhamento diante da previsão de calor e redução da umidade.

Qualidade do ar

No SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, a estação UEA_EducAIR_1 registrava 12 µg/m³ de PM2,5 às 8h40; a UEA_EducAIR_2, 14,7 µg/m³ às 8h44; e a UEA_EducAIR_32, 13,4 µg/m³ às 8h43. Ontem, esses pontos apresentavam, respectivamente, 35,3, 41,3 e 40,3 µg/m³. A redução foi de aproximadamente 64% a 67%, com passagem para a faixa boa da escala do aplicativo.

O IQAir indicava, às 8h de hoje, AQI 42 e PM2,5 de 7,7 µg/m³, faixa boa, contra AQI 75 e 22,3 µg/m³ ontem. A queda de aproximadamente 65% das partículas nessa plataforma reforça o sinal de melhora. Os valores das duas redes possuem cobertura e agregação diferentes.

A leitura de 28 µg/m³ ainda apresentada no SELVA pela UEA_EducAIR_5 era de 21/10 às 20h19 e foi excluída da avaliação atual. As medições verificadas são pontuais e não regulatórias; não permitem afirmar que toda a cidade permaneceu com ar bom durante as últimas 24 horas.

INPE — retomada das detecções no sudoeste

Os arquivos oficiais, filtrados para o satélite de referência AQUA_M‑T, registram 34 focos no Amazonas em 21/10, contra 13 em 20/10 e um em 19/10. Foram 23 em Lábrea, oito em Boca do Acre, dois em Pauini e um em Uarini.

Nos dois últimos dias completos, 20–21/10, foram 47 focos, contra 14 em 19–20/10. Essas janelas sobrepostas de dias completos diferem da janela móvel de 48 horas do painel. A concentração em Lábrea e Boca do Acre recomenda reforço operacional no sudoeste, mas o aumento das detecções, sob nuvens variáveis, não mede isoladamente a expansão da área queimada.

Ranking mensal

A apuração dos arquivos oficiais de 1º a 21 de outubro, AQUA_M‑T, totaliza 1.968 focos no Amazonas, quarto maior acumulado estadual. Os arquivos foram consultados nesta manhã; não foi obtido horário único de atualização do conjunto mensal.

Lábrea ocupa a 9ª posição nacional, com 285 focos. Autazes e Boca do Acre somam 197 cada, empatados em quantidade, com apenas 12 municípios brasileiros acima desse total. Itacoatiara ocupa a 20ª posição, com 134. A indicação do empate evita atribuir diferença de desempenho a uma ordenação entre valores iguais.

Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, com 102; Guajará, 77; Maués, 66; Boa Vista do Ramos, 60; Manaquiri, 53; Humaitá, 52; Careiro da Várzea e Borba, 51 cada; Nhamundá, 46; Careiro, 45; Urucurituba, 44; Manacapuru, 42; e Nova Olinda do Norte, 40.

O Pará acumula 7.524 focos, incluindo 109 em 21/10, contra 106 no dia anterior. São Félix do Xingu lidera nacionalmente, com 759; Altamira aparece em segundo, com 623; Uruará em terceiro, com 567; e Itaituba em quarto, com 403. Portel soma 382; Aveiro, 343; Santarém, 322; Placas, 257; Óbidos, 252; e Mojuí dos Campos, 250.

Esses municípios mantêm fontes potenciais de fumaça a leste do Amazonas. Não foram validadas trajetórias que confirmem sua contribuição específica para Manaus nesta manhã.

Monitor UFAM — aumento em Manaus e entorno

A atualização de 22/10 às 4h08, abrangendo 13 municípios, identificava seis eventos ativos na janela móvel de 48 horas: cinco em Itacoatiara e um em Manaus, contra um evento ativo na consulta anterior.

Dos 20 eventos classificados como extintos por estimativa, 19 apresentavam extinção incerta. A cobertura média de nuvens era de 84,8%, chegando a 99% na passagem VIIRS noturna de referência. A observação permanece fortemente limitada, impedindo interpretar ausência de detecção como extinção comprovada.

Censipam — persistência e mudança da distribuição

O Painel do Fogo apresentava 43 eventos ativos e 78 em observação no Amazonas, ante 47 ativos e 192 em observação ontem. A detecção mais recente disponível era de 1h59 de hoje. A redução do conjunto listado exige cautela: mudanças de status e de disponibilidade dos registros não demonstram, isoladamente, controle operacional.

Lábrea concentrava 17 eventos ativos exclusivamente municipais, seguida de Boca do Acre, com sete; Itacoatiara e Parintins, três cada; e Guajará, dois. Havia ainda eventos compartilhados entre municípios, contabilizados separadamente, inclusive Parintins–Urucurituba e Boca do Acre–Sena Madureira.

Destacavam-se eventos com 30 dias de persistência em Lábrea e no eixo Parintins–Urucurituba, além de um evento em Itacoatiara com 20 dias e indicação de interseção com a Terra Indígena Paraná do Arauató.

No Pará, eram 389 eventos ativos e 337 em observação, contra 325 ativos ontem, com detecção mais recente às 2h59. Portel apresentava 40 eventos ativos exclusivamente municipais; Pacajá, 26; Óbidos, 12; Prainha, dez; e Uruará, Aveiro, Monte Alegre, Santarém e Oriximiná, oito cada. Permaneciam eventos persistentes em Prainha, com 51 dias e indicação da Floresta Estadual do Paru, e no eixo Mojuí dos Campos–Placas, com 45 dias.

São eventos agrupados espacial e temporalmente, distintos dos focos AQUA e dos agrupamentos da UFAM. Não representam área efetivamente queimada ou pluma de fumaça. Não foram validados indicadores suficientes de severidade, expansão ou distância das populações para classificar individualmente esses riscos.

Chuvas, calor e circulação

O boletim do INMET atualizado em 21/10 às 15h32 concentra, para hoje, pancadas e trovoadas no sul e oeste do Amazonas, com aviso amarelo de tempestades nessas áreas. Para amanhã, prevê instabilidade no Amazonas e possibilidade de chuva isolada no oeste paraense. A previsão regional não assegura chuva uniforme em Manaus e no leste amazonense.

A projeção horária do IQAir sinaliza para Manaus máxima próxima de 38 °C e umidade mínima ao redor de 28% nesta tarde, além de aumento do AQI para aproximadamente 82 à noite. Para amanhã, admite AQI próximo de 102 em parte da manhã. São previsões de modelo, sujeitas a revisão, e não deterioração já observada. Os ventos projetados predominam de leste/sudeste durante boa parte do dia, enfraquecendo à noite.

A combinação de eventos persistentes, calor, baixa umidade e menor ventilação noturna mantém possibilidade de nova elevação das partículas. Não foi validado prognóstico probabilístico completo para 15 dias nem novo sinal robusto com antecedência superior a 72 horas.

Rios

O rio Negro registra 16,97 metros em Manaus em 22/10, queda de sete centímetros em 24 horas. A vazante continua.

No Alto Solimões, Tabatinga apresentava 1,86 metro em 21/10, nove centímetros acima do dia anterior, ainda sem leitura de hoje. Iquitos passou de 78,55 metros em 21/10 para 78,66 em 22/10, alta de 11 centímetros. Santo Antônio do Içá também subiu, de 2,28 para 2,41 metros. Os dados reforçam sinais de repiquete a montante, enquanto Manaus permanece em descida; ainda não permitem declarar encerramento regional da vazante.

Prioridades e confiança

A melhora do ar em Manaus tem confiança alta para os pontos e horários verificados. Sua manutenção nas próximas 24–72 horas tem confiança moderada, diante do calor previsto e da permanência de fontes emissoras.

Defesa Civil, órgãos ambientais e brigadas devem priorizar Lábrea e Boca do Acre, sem desmobilizar a vigilância em Itacoatiara e Manaus. Saúde, escolas e assistência devem acompanhar a evolução local ao longo do dia, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A melhora matinal não substitui os critérios institucionais para atividades presenciais e externas.

Impactos financeiros e passivos potenciais

O alívio atmosférico pode reduzir temporariamente a pressão sanitária, mas a persistência do fogo mantém despesas de combate, fiscalização, assistência e recuperação ambiental. A avaliação permanece qualitativa: sem execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, não se pode quantificar passivos nem concluir desperdício ou ineficácia dos gastos.

Fontes consultadas

SELVA — UEA

IQAir — Manaus

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais

Monitor UFAM

Painel do Fogo — Censipam

INMET — previsão para 22 e 23 de outubro

Porto de Manaus — rio Negro

PROA — níveis dos rios

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