Boletim de 23 de outubro – Monitoramento ambiental

Alerta de retomada das partículas e aumento das detecções

A melhora observada ontem perdeu intensidade nesta manhã. As estações atuais do SELVA verificadas em Manaus registraram aumento de PM2,5, enquanto a UFAM identificou crescimento dos eventos ativos no entorno regional. No Pará, as detecções AQUA aumentaram fortemente, ampliando a necessidade de vigilância sobre fontes potenciais de fumaça a leste do Amazonas.

Qualidade do ar pelo SELVA

Na região de Itacoatiara, destaca-se a deterioração acentuada: a estação UEA_EducAIR_27 apresentava 124,4 µg/m³ de PM2,5 às 9h26, na faixa muito ruim e próxima da faixa péssima do SELVA, que começa em 125 µg/m³. Ontem pela manhã, o mesmo sensor indicava 35,6 µg/m³. A deterioração exige atenção operacional prioritária.

No SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, a estação UEA_EducAIR_1, em Manaus, registrava 27,2 µg/m³ de PM2,5 às 9h25, contra 12 µg/m³ ontem pela manhã. A UEA_EducAIR_32 apresentava 22,7 µg/m³ às 9h26, ante 13,4 ontem. A primeira passou à faixa moderada da escala do aplicativo; a segunda permanecia na faixa boa.

A leitura de 36,3 µg/m³ da UEA_EducAIR_2 era de 22/10 às 11h08 e foi excluída da avaliação atual. Esse cuidado evita apresentar uma medição antiga como deterioração desta manhã.

Em Maués, a UEA_EducAIR_30 registrava 37,1 µg/m³ às 9h25, faixa moderada, contra 28,2 ontem.

São leituras pontuais de sensores não regulatórios. Não equivalem à média diária municipal e, isoladamente, não identificam a origem das partículas. Não foram validadas nesta consulta leituras atuais suficientes para atualizar individualmente Autazes e Parintins.

No IQAir, Manaus apresentava, às 9h, AQI 67 e PM2,5 de 17,8 µg/m³, faixa moderada. Ontem, às 8h, eram AQI 42 e 7,7 µg/m³. A comparação entre horários distintos indica reversão parcial do alívio, sem demonstrar retorno à intensidade da fase mais crítica.

INPE e novas detecções no leste amazonense

Os arquivos oficiais, filtrados para o satélite de referência AQUA_M-T, registram 43 focos no Amazonas em 22/10, contra 34 em 21/10 e 13 em 20/10.

Foram 21 em Nhamundá, 11 em Parintins, três em Borba, três em Autazes, dois em Urucurituba e um em cada um dos municípios de Nova Olinda do Norte, Itacoatiara e Barreirinha. A distribuição das novas detecções deslocou-se, portanto, do sudoeste para o leste e centro-leste do estado.

Nos dois últimos dias completos, 21–22/10, foram 77 focos, contra 47 em 20–21/10, aumento aproximado de 64%. Essas janelas sobrepostas de dias completos não correspondem necessariamente à janela móvel de 48 horas do painel. A nebulosidade variável também interfere nas contagens.

Ranking mensal do INPE

A apuração dos arquivos oficiais de 1º a 22 de outubro, AQUA_M-T, totaliza 2.011 focos no Amazonas, quarto maior acumulado estadual. A consulta ocorreu nesta manhã; não foi identificado horário único de atualização do conjunto mensal.

Os principais amazonenses no ranking nacional são Lábrea, em 10º lugar, com 285 focos; Autazes, em 14º, com 200; Boca do Acre, em 15º, com 197; e Itacoatiara, em 25º, com 135.

Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, com 102; Guajará, 77; Nhamundá, 67; Maués, 66; Boa Vista do Ramos, 60; Borba, 54; Manaquiri, 53; Humaitá, 52; Careiro da Várzea, 51; Urucurituba e Parintins, 46 cada; Careiro, 45; Manacapuru, 42; e Nova Olinda do Norte, 41.

Forte aumento diário no Pará

O estado registrou 1.260 focos AQUA_M-T em 22/10, contra 109 em 21/10 — aproximadamente 11,6 vezes o registro anterior. O acumulado de outubro chegou a 8.784 focos.

São Félix do Xingu lidera nacionalmente, com 811; Altamira ocupa o segundo lugar, com 643; Uruará, o terceiro, com 634; Portel, o quarto, com 531; Itaituba, o quinto, com 417; Aveiro, o sexto, com 381; e Santarém, o sétimo, com 372. Mojuí dos Campos soma 291; Placas, 279; Óbidos, 274; e Pacajá, 257.

O aumento amplia a preocupação com emissões a leste do Amazonas. Não foram validadas trajetórias que comprovem o transporte dessas emissões específicas até Manaus nesta manhã. Mudanças de nuvens e condições de observação também podem contribuir para a variação diária.

Monitor UFAM e eventos ativos no entorno regional

A atualização de 23/10 às 4h08, abrangendo 13 municípios, identificava 21 eventos ativos na janela móvel de 48 horas, contra seis ontem: 13 em Autazes, seis em Itacoatiara, um em Presidente Figueiredo e um em Careiro.

Outros 22 eventos estavam classificados como extintos por estimativa, dos quais 18 tinham extinção incerta. A cobertura média de nuvens era de 83,2%, mantendo elevada limitação da observação. As contagens representam agrupamentos de detecções e não devem ser somadas aos focos AQUA do INPE.

Censipam e persistência dos eventos

O Painel do Fogo apresentava 58 eventos ativos e 78 em observação no Amazonas, ante 43 ativos ontem. A detecção mais recente disponível era de 3h37 de hoje.

Entre os eventos exclusivamente municipais, Autazes concentrava dez; Parintins, nove; Nhamundá, sete; Itacoatiara e São Sebastião do Uatumã, quatro cada; e Urucurituba, três. Havia também eventos compartilhados entre municípios, inclusive Juruti–Parintins e Parintins–Urucurituba.

Destacavam-se eventos com 31 dias de persistência no eixo Parintins–Urucurituba, 21 dias em Itacoatiara, com indicação de interseção com a Terra Indígena Paraná do Arauató, e 19 dias em Autazes, com indicação da Terra Indígena Paracuhuba.

No Pará, eram 598 eventos ativos e 305 em observação, contra 389 ativos ontem, com detecção mais recente também às 3h37. Portel apresentava 48 eventos ativos exclusivamente municipais; Pacajá, 34; Almeirim, 25; Monte Alegre, 20; Uruará, 18; Óbidos, 17; Oriximiná, 16; e Prainha, Aveiro e Santarém, 15 cada.

Permaneciam eventos de longa duração em Prainha, com 52 dias e indicação da Floresta Estadual do Paru, e no eixo Mojuí dos Campos–Placas, com 46 dias.

Esses são eventos agrupados espacial e temporalmente. Persistência não comprova chama contínua durante todo o período, e os polígonos não representam plumas de fumaça. Severidade, expansão, área efetivamente queimada e distância das populações não foram suficientemente validadas para classificação individual nesta consulta.

Chuvas calor e circulação

O INMET, em boletim atualizado em 22/10 às 15h53, concentra para hoje chuva e trovoadas no oeste do Amazonas, com possibilidade de chuva isolada no sudeste amazonense e sudoeste paraense. Para sábado, prevê chuva no Amazonas, com trovoadas mais concentradas no oeste e noroeste. Isso não assegura precipitação suficiente sobre todas as fontes emissoras do centro-leste.

A previsão horária do IQAir indica para Manaus temperatura próxima de 36 °C e umidade mínima em torno de 30% nesta tarde. Os ventos projetados predominam de leste/sudeste pela manhã e início da tarde, mudando posteriormente e enfraquecendo à noite. A plataforma projeta AQI predominantemente moderado ao longo do dia. São estimativas de modelo, distintas das medições de partículas.

A combinação de fontes persistentes, novas detecções, calor, secagem e menor ventilação noturna mantém risco de acumulação ou renovação da fumaça. Não foi validado prognóstico probabilístico completo para 15 dias nem novo sinal robusto com antecedência superior a 72 horas.

Rios

O rio Negro registra 16,90 metros em Manaus em 23/10, queda de sete centímetros em 24 horas. A vazante continua.

Na PROA, as últimas leituras disponíveis do Alto Solimões eram de 22/10: Tabatinga, 1,99 metro, alta de 13 centímetros; Iquitos, 78,66 metros, alta de 11 centímetros; e Santo Antônio do Içá, 2,41 metros, alta de 13 centímetros. Os sinais de repiquete a montante coexistem com a descida em Manaus; não havia novas leituras de 23/10 dessas estações na tabela consultada.

Recomendações operacionais

Defesa Civil, combate ao fogo e fiscalização ambiental devem priorizar o eixo Autazes–Itacoatiara–Urucurituba–Parintins–Nhamundá e a cooperação com o oeste paraense. Recomenda-se confirmar em campo os eventos persistentes, avaliar o reposicionamento dos meios de combate e atualizar a localização das ocorrências próximas às populações e aos territórios protegidos.

Em Itacoatiara, a elevação para 124,4 µg/m³ no sensor verificado recomenda atenção imediata de saúde, escolas e assistência. As equipes municipais devem acompanhar a evolução das leituras locais e reavaliar atividades externas, com prioridade à proteção de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Em Manaus e nos demais municípios monitorados, recomenda-se manter vigilância das partículas ao longo do dia e da noite, diante da possibilidade de renovação ou acumulação da fumaça. As decisões operacionais devem considerar medições atuais, condições locais de exposição e a evolução da chuva e da ventilação.

Confiança da avaliação

A confiança é alta para os registros e horários verificados, moderada para a tendência atmosférica nas próximas 24–72 horas e baixa para atribuir a origem específica da fumaça sem trajetórias.

Impactos financeiros e passivos potenciais

A retomada das detecções e a persistência dos eventos mantêm risco de aumento dos custos de combate, fiscalização, saúde, assistência e recuperação ambiental. A avaliação permanece qualitativa: sem execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, não se pode quantificar passivos nem concluir desperdício ou ineficácia dos gastos.

Fontes consultadas

SELVA — UEA

IQAir — Manaus

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais

Monitor UFAM

Painel do Fogo — Censipam

INMET — previsão para 23 e 24 de outubro

Porto de Manaus — rio Negro

PROA — níveis dos rios

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