Boletim de 24 de outubro – Monitoramento ambiental

Alerta de aumento das partículas em Manaus e poluição intensa em Parintins

As medições verificadas indicam nova deterioração do ar em Manaus, enquanto Itacoatiara apresenta melhora parcial, ainda com concentração elevada. Em Parintins e entorno, as leituras da madrugada e desta manhã permanecem na faixa péssima do SELVA, apesar de redução expressiva entre os dois horários. Calor e baixa umidade ampliam o risco neste sábado.

As fontes de monitoramento de fogo mostram resultados distintos: redução dos eventos ativos estimados pela UFAM, mas persistência de numerosas ocorrências no Amazonas e no Pará segundo o Censipam. Não há evidência suficiente para declarar controle regional dos incêndios.

Qualidade do ar pelo SELVA

No SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, a estação UEA_EducAIR_1, em Manaus, registrava 38,2 µg/m³ de PM2,5 às 9h11, contra 27,2 ontem pela manhã. A UEA_EducAIR_32 apresentava 40,5 µg/m³ às 9h11, ante 22,7 ontem. Ambas estavam na faixa moderada da escala do aplicativo, demonstrando perda adicional do alívio observado nos últimos dias.

Na região de Itacoatiara, a UEA_EducAIR_27 registrava 57,9 µg/m³ às 9h10, faixa ruim, contra 124,4 ontem, quando estava na faixa muito ruim, próxima da péssima. A queda é expressiva, mas a concentração permanece elevada. Em Maués, a UEA_EducAIR_30 indicava 42,7 µg/m³ às 9h11, faixa moderada, ante 37,1 ontem.

Essas leituras são pontuais, de sensores não regulatórios, e não equivalem à média diária de cada município. Não foram validadas nesta consulta medições atuais suficientes para atualizar individualmente Autazes.

Parintins e entorno com ar péssimo

No SELVA, os dois pontos apresentados na captura registravam 692,0 e 680,2 µg/m³ de PM2,5 às 00h09 de hoje, 24/10, conforme a imagem e a informação fornecida sobre o horário das duas medições.

Na atualização desta manhã, a estação SEMA_DCAM_64 registrava 247,1 µg/m³ às 9h23min22s, enquanto a SEMA_DCAM_47 apresentava 244,5 µg/m³ às 9h23min10s. Apesar da redução expressiva em relação à madrugada, ambas permaneciam na faixa péssima do aplicativo, indicando persistência de poluição intensa nos pontos monitorados. São leituras pontuais, distintas da média diária municipal.

O IQAir, às 8h, apresentava para Manaus AQI 88 e PM2,5 de 28,9 µg/m³, na faixa moderada, contra AQI 67 e 17,8 µg/m³ às 9h de ontem. A comparação entre horários distintos reforça o sinal de deterioração, sem representar uma média de 24 horas.

INPE e persistência das detecções no centro leste amazonense

Os arquivos oficiais, filtrados pelo satélite de referência AQUA_M-T, registram 40 focos no Amazonas em 23/10, contra 43 em 22/10 e 34 em 21/10.

As ocorrências de ontem distribuíram-se entre Nova Olinda do Norte, com oito; Urucurituba, sete; Itacoatiara e Maués, seis cada; Lábrea, quatro; Boa Vista do Ramos, três; Careiro da Várzea e Humaitá, dois cada; Barreirinha e Presidente Figueiredo, um cada. A última detecção AQUA do arquivo estadual era de 15h53 de 23/10.

Nos dois últimos dias completos, 22–23/10, foram 83 focos, contra 77 em 21–22/10. Essas janelas sobrepostas não equivalem à janela móvel de 48 horas do painel. Os dados de hoje ainda são parciais e não devem ser comparados diretamente com dias completos.

Ranking mensal do INPE

O acumulado de 1º a 23 de outubro, apurado nos arquivos oficiais AQUA_M-T, alcançou 2.051 focos no Amazonas. Não foi identificado horário único de atualização do conjunto mensal; a apuração foi realizada nesta manhã.

Os principais amazonenses no ranking nacional são Lábrea, em 10º lugar, com 289 focos; Autazes, em 14º, com 200; Boca do Acre, em 15º, com 197; e Itacoatiara, em 22º, com 141.

Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, com 102; Guajará, 77; Maués, 72; Nhamundá, 67; Boa Vista do Ramos, 63; Humaitá e Borba, 54 cada; Careiro da Várzea, Manaquiri e Urucurituba, 53 cada; Nova Olinda do Norte, 49; e Parintins, 46.

Pará e fontes potenciais de fumaça a leste

O Pará registrou 35 focos AQUA_M-T em 23/10, contra 1.260 em 22/10. O forte recuo diário não comprova extinção dos incêndios: condições de observação, nuvens e horários de passagem interferem nas detecções, e o Censipam ainda identifica numerosos eventos ativos.

O acumulado mensal paraense chegou a 8.819 focos. São Félix do Xingu lidera nacionalmente, com 811; Altamira ocupa o segundo lugar, com 644; Uruará, o terceiro, com 639; Portel, o quarto, com 531; Itaituba, o quinto, com 421; Aveiro, o sexto, com 385; e Santarém, o sétimo, com 373. Mojuí dos Campos soma 291; Placas, 282; e Óbidos, 274.

A concentração de fontes no oeste paraense mantém a necessidade de vigilância sobre possíveis contribuições à fumaça no leste amazonense e em Manaus. Não foram validadas trajetórias que confirmem o transporte dessas emissões específicas até a capital nesta manhã.

Monitor UFAM

A atualização de 24/10 às 4h08, para o recorte regional de 13 municípios e janela móvel de 48 horas, apresentava nove eventos ativos, contra 21 ontem: quatro em Itacoatiara, três em Autazes, um em Presidente Figueiredo e um em Manaus.

Outros 56 eventos estavam classificados como extintos por estimativa, mas 47 tinham extinção incerta. A nebulosidade média da janela era de 58,7%. Portanto, a redução dos ativos exige confirmação pelas próximas observações. São agrupamentos de detecções de diferentes satélites, distintos dos focos AQUA da série comparativa do INPE.

Censipam e eventos persistentes

O Painel do Fogo apresentava 60 eventos ativos e 94 em observação no Amazonas, ante 58 e 78 ontem. A detecção mais recente disponível era de 1h44 de hoje, horário de Manaus; esse é o horário da detecção, não necessariamente da atualização do painel.

Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Nhamundá, com 11; Parintins, nove; Maués, sete; Nova Olinda do Norte, cinco; Itacoatiara, quatro; Autazes e São Sebastião do Uatumã, três cada. Permaneciam também eventos compartilhados entre municípios, incluindo Juruti–Parintins.

Havia evento com 22 dias de persistência em Itacoatiara, associado no cadastro à Terra Indígena Paraná do Arauató; 20 dias em Autazes, com indicação da Terra Indígena Paracuhuba; e 20 dias em São Sebastião do Uatumã.

No Pará, eram 658 eventos ativos e 443 em observação, contra 598 e 305 ontem. A detecção mais recente era de 2h37 de hoje. Entre os eventos exclusivamente municipais, Portel apresentava 48; Pacajá, 33; Almeirim, 26; Aveiro, Monte Alegre e Oriximiná, 19 cada; Uruará, 17; Altamira, 16; e Prainha e Óbidos, 15 cada.

Destacavam-se eventos com 53 dias em Prainha, com indicação da Floresta Estadual do Paru, e 47 dias no eixo Mojuí dos Campos–Placas. A persistência representa a duração do agrupamento monitorado, sem comprovar chama contínua durante todo o período. Severidade, expansão, distâncias das populações e área efetivamente queimada não foram suficientemente validadas para classificação individual. Essas métricas não devem ser somadas aos focos do INPE nem interpretadas como plumas de fumaça.

Chuvas calor e circulação

O INMET, em previsão atualizada em 23/10 às 13h21, indica para este sábado tempo predominantemente seco no leste do Amazonas e no Pará, com possibilidade de chuva isolada concentrada no oeste amazonense. Para domingo, 25/10, prevê chuvas isoladas nas demais áreas do Amazonas e trovoadas no oeste e noroeste. Para segunda-feira, 26/10, aponta aumento das instabilidades e chuva com trovoadas no Amazonas e no centro-sul paraense, associado à possível organização de um canal de umidade. A previsão oferece perspectiva de alívio, mas ainda não assegura chuva suficiente sobre todas as fontes emissoras.

Para Manaus, a previsão horária do IQAir projeta máxima próxima de 39 °C e umidade mínima de aproximadamente 23% hoje, com ventos de leste/sudeste durante boa parte do dia. São estimativas de modelo. A combinação de calor, secagem e fontes persistentes mantém risco composto de propagação do fogo e exposição à fumaça.

Não foi validado nesta consulta um prognóstico probabilístico completo para 15 dias. A principal mudança meteorológica identificada situa-se nas próximas 48–72 horas, com aumento das condições de chuva até segunda-feira.

Rios

A última cota disponível no Porto de Manaus continuava sendo a de 23/10: 16,90 metros, com queda de sete centímetros em 24 horas. Não havia leitura de 24/10 na tabela consultada, de modo que não se atribui esse valor ao dia de hoje.

Na PROA, Iquitos registrava 79,02 metros em 24/10, alta de 11 centímetros, e Santo Antônio do Içá, 2,70 metros, alta de 18 centímetros. Para Tabatinga, a última leitura era de 23/10: 2,06 metros, alta de sete centímetros. O repiquete a montante permanece distinto da vazante ainda observada em Manaus.

Recomendações operacionais

Parintins deve receber atenção prioritária de saúde, Defesa Civil e educação, com acompanhamento frequente das concentrações, redução da exposição externa e proteção especial de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, diante da permanência de ar péssimo nos pontos monitorados nesta manhã.

Defesa Civil, brigadas e fiscalização devem manter prioridade no centro-leste e leste amazonense, especialmente Itacoatiara, Autazes, Nova Olinda do Norte, Urucurituba, Maués, Parintins e Nhamundá. Recomenda-se confirmar em campo os eventos persistentes e as extinções incertas, preservando capacidade de resposta durante o sábado quente e seco e articulando informações com o oeste paraense.

Saúde, escolas e assistência devem acompanhar as medições locais e ajustar atividades externas conforme a exposição à fumaça e ao calor, priorizando crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A melhora parcial em Itacoatiara não justifica encerrar a vigilância, e a nova elevação em Manaus recomenda acompanhamento ao longo do dia.

Confiança da avaliação

Alta para os registros e horários verificados; moderada para a evolução meteorológica até segunda-feira; baixa para atribuir a origem municipal da fumaça sem análise de trajetórias. As divergências entre contagens refletem métodos, satélites e janelas diferentes.

Impactos financeiros e passivos potenciais

A persistência dos incêndios e as oscilações da poluição mantêm risco de aumento das despesas de combate, fiscalização, saúde, assistência e recuperação ambiental. A avaliação permanece qualitativa: sem dados de execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, não é possível quantificar passivos nem concluir desperdício ou ineficácia dos gastos públicos.

Fontes consultadas

SELVA — UEA

IQAir — Manaus

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais

INPE — arquivo diário de 23 de outubro

Monitor UFAM

Painel do Fogo — Censipam

INMET — previsão para 24 25 e 26 de outubro

Porto de Manaus — rio Negro

PROA — níveis dos rios

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