Boletim de 25 de outubro – Monitoramento ambiental

Alerta de piora do ar e aumento dos eventos de fogo monitorados

O SELVA indica deterioração em Itacoatiara e Maués e nova elevação das partículas nos pontos verificados em Manaus. Barreirinha apresenta ar péssimo. Parintins mostra melhora em relação às concentrações extremas de ontem, mas permanece com ar muito ruim. UFAM e Censipam registram crescimento dos eventos classificados como ativos, enquanto o AQUA do INPE apresenta forte redução das detecções no Amazonas. Essa divergência impede interpretar a queda de um único satélite como controle dos incêndios.

Qualidade do ar pelo SELVA

No SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, a estação UEA_EducAIR_1, em Manaus, registrava 47,3 µg/m³ de PM2,5 às 9h07, contra 38,2 ontem pela manhã. A UEA_EducAIR_32 apresentava 44,0 µg/m³ às 9h06, ante 40,5. Ambas permaneciam na faixa moderada do aplicativo, com aumento das concentrações nos pontos acompanhados.

Na região de Itacoatiara, a UEA_EducAIR_27 registrava 111,6 µg/m³ às 9h09, faixa muito ruim, contra 57,9 ontem. Em Maués, a UEA_EducAIR_30 indicava 94,9 µg/m³ às 8h39, também na faixa muito ruim, ante 42,7 ontem. Os dois sensores apresentaram concentração próxima ou superior ao dobro da leitura da manhã anterior.

Em Parintins e entorno, a SEMA_DCAM_64 registrava 81,8 µg/m³ às 9h09, e a SEMA_DCAM_47, 77,8 µg/m³ às 9h09. Houve redução em relação aos 247,1 e 244,5 µg/m³ de ontem às 9h23, mas ambas permaneciam na faixa muito ruim. A melhora parcial não representa normalização do ar.

Em Barreirinha, a estação SEMA_DCAM_18 registrava 156,3 µg/m³ de PM2,5 às 9h09min32s de hoje, 25/10/2026, na faixa péssima da escala do aplicativo. O registro reforça a prioridade de proteção da população no leste amazonense.

São leituras pontuais de sensores não regulatórios, distintas da média diária municipal. As temperaturas indicadas nos próprios equipamentos não foram utilizadas como observações meteorológicas oficiais.

No IQAir, Manaus apresentava, às 8h, AQI 99 e PM2,5 de 35,2 µg/m³, faixa moderada, contra AQI 88 e 28,9 µg/m³ no mesmo horário de ontem. O resultado reforça o sinal de deterioração na capital, embora as redes tenham composição e processamento distintos.

INPE e queda das detecções AQUA

O arquivo oficial de 24/10, filtrado pelo satélite de referência AQUA_M-T, apresenta três focos no Amazonas, um em cada município: Boca do Acre, Lábrea e Amaturá. Em 23/10, foram 40. A última detecção estadual desse arquivo ocorreu às 16h32 de ontem.

Nos dois últimos dias completos, 23–24/10, foram 43 focos, contra 83 em 22–23/10. Essas janelas sobrepostas não equivalem à janela móvel de 48 horas do painel. A queda é confirmada para as detecções dessa série, mas não demonstra, isoladamente, redução equivalente dos incêndios ativos, diante dos resultados dos demais sistemas.

Ranking mensal do INPE

O acumulado de 1º a 24 de outubro, apurado nos arquivos oficiais AQUA_M-T, alcançou 2.054 focos no Amazonas, quarto maior total estadual. A apuração foi realizada nesta manhã; não foi identificado horário único de atualização do conjunto mensal.

Os principais amazonenses no ranking nacional são Lábrea, em 11º lugar, com 290 focos; Autazes, em 14º, com 200; Boca do Acre, em 16º, com 198; e Itacoatiara, em 27º, com 141.

Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, com 102; Guajará, 77; Maués, 72; Nhamundá, 67; Boa Vista do Ramos, 63; Humaitá e Borba, 54 cada; Careiro da Várzea, Manaquiri e Urucurituba, 53 cada; Nova Olinda do Norte, 49; e Parintins, 46. Mudanças de posição nacional podem decorrer do aumento das contagens em outros municípios, mesmo quando o total local permanece igual.

Pará e fontes potenciais de fumaça

O Pará registrou 616 focos AQUA_M-T em 24/10, contra 35 em 23/10. O acumulado mensal chegou a 9.435 focos. As maiores contagens diárias ocorreram em Pacajá, com 59; Portel, 48; Moju, 32; Chaves, 31; e Anapu, 27.

No ranking mensal nacional, São Félix do Xingu permanece em primeiro, com 822; Altamira, em segundo, com 660; Uruará, em terceiro, com 657; Portel, em quarto, com 579; Itaituba, em quinto, com 421; Aveiro, em sexto, com 390; e Santarém, em sétimo, com 386. Pacajá ocupa o nono lugar, com 316; Mojuí dos Campos, o décimo, com 291; Placas, o 12º, com 285; e Óbidos, o 13º, com 274.

A presença de numerosas fontes no oeste paraense mantém o potencial de contribuição à fumaça no leste amazonense. Não foram validadas trajetórias que confirmem a chegada a Manaus das emissões desses municípios nesta manhã.

Monitor UFAM

A atualização de 25/10 às 4h08, abrangendo 13 municípios e janela móvel de 48 horas, identificava 44 eventos ativos, contra nove ontem: 24 em Autazes; dez em Itacoatiara; três em Manacapuru; dois em Careiro; e um em Beruri, Presidente Figueiredo, Manaquiri, Careiro da Várzea e Manaus.

Outros 91 eventos estavam classificados como extintos por estimativa, dos quais 49 tinham extinção incerta. A nebulosidade média da janela caiu de 58,7% para 27,4%, melhorando as condições de observação. Parte da mudança pode refletir maior visibilidade das fontes; não se atribui todo o aumento a novos incêndios.

São agrupamentos de detecções de diferentes satélites, que não devem ser somados aos focos AQUA do INPE.

Censipam e aumento dos eventos classificados como ativos

O Painel do Fogo apresentava 149 eventos ativos e 69 em observação no Amazonas, contra 60 e 94 ontem. A detecção mais recente disponível era de 3h14 de hoje, horário de Manaus. Esse horário corresponde à detecção, não necessariamente à atualização integral do painel.

Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Autazes, com 18; Nhamundá, 14; Parintins, 11; Itacoatiara, dez; Novo Aripuanã, nove; Lábrea, oito; Nova Olinda do Norte e Manicoré, sete cada; Humaitá, seis; e Maués, cinco. Havia também eventos compartilhados entre municípios, contabilizados separadamente.

Permaneciam eventos com 32 dias de persistência em Lábrea; 23 dias em Itacoatiara, com indicação da Terra Indígena Paraná do Arauató; e 21 dias em Autazes, com indicação da Terra Indígena Paracuhuba.

No Pará, eram 737 eventos ativos e 571 em observação, contra 658 e 443 ontem, com detecção mais recente também às 3h14. Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Pacajá, com 39; São Félix do Xingu, 37; Portel, 32; Aveiro e Oriximiná, 31 cada; Óbidos, 30; Altamira, 26; e Uruará e Rurópolis, 25 cada.

Havia eventos com 54 dias em Prainha, com indicação da Floresta Estadual do Paru, e 48 dias no eixo Mojuí dos Campos–Placas.

Esses números representam eventos agrupados espacial e temporalmente. O crescimento pode envolver novas detecções e reclassificações; não corresponde necessariamente ao surgimento de igual número de novos incêndios. Persistência não comprova chama contínua. Severidade, expansão, área efetivamente queimada e distância das populações não foram suficientemente validadas para classificação individual.

Chuvas calor e circulação

O boletim do INMET, atualizado em 23/10 às 13h21, prevê para hoje trovoadas no oeste e noroeste amazonense e chuvas isoladas nas demais áreas do Amazonas. Para segunda-feira, 26/10, indica intensificação das instabilidades, com chuva e trovoadas no estado e no centro-sul paraense, associada à possível organização de um canal de umidade. O sinal favorece alívio localizado, mas não assegura precipitação suficiente sobre todas as fontes emissoras.

Para Manaus, o modelo exibido pelo IQAir projeta máxima próxima de 37 °C e umidade mínima em torno de 33%, com ventilação variável e possibilidade de enfraquecimento à tarde. São previsões, distintas das medições de partículas. A combinação de calor, fontes persistentes e períodos de pouca ventilação mantém risco de acumulação da poluição.

Não foi validado nesta consulta prognóstico probabilístico completo para 15 dias nem novo sinal robusto além de 72 horas. A perspectiva de chuva já identificada para segunda-feira permanece como principal possibilidade de mudança no curto prazo.

Rios

O Porto de Manaus ainda apresentava como última leitura 16,90 metros em 23/10, com queda de sete centímetros naquele intervalo diário. Não foram encontradas cotas de 24 ou 25/10 na tabela consultada, impedindo atualizar a velocidade da vazante em Manaus.

Na PROA, a leitura de Tabatinga em 24/10 passou a estar disponível: 2,20 metros, alta de 14 centímetros em relação ao dia anterior. Na mesma data, Iquitos registrava 79,02 metros, alta de 11 centímetros, e Santo Antônio do Içá, 2,70 metros, alta de 18 centímetros. Não havia leituras de 25/10 na tabela consultada. O repiquete a montante não comprova encerramento da vazante no baixo Negro.

Recomendações operacionais

Defesa Civil, brigadas e fiscalização devem priorizar a confirmação e o atendimento dos eventos no eixo Autazes–Itacoatiara, mantendo atenção a Parintins, Nhamundá, Maués, Nova Olinda do Norte e Urucurituba, além dos eventos persistentes do sul amazonense. A queda das detecções AQUA não justifica desmobilização diante dos demais indicadores.

Saúde, educação e assistência devem reforçar a proteção em Barreirinha, onde a estação verificada indica ar péssimo, e em Itacoatiara, Maués e Parintins, com ar muito ruim. Recomenda-se acompanhamento frequente das concentrações, redução da exposição externa e reavaliação de atividades físicas ao ar livre, com prioridade a crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Em Manaus, a elevação das partículas exige acompanhamento durante o dia.

Confiança da avaliação

Alta para os registros e horários verificados; moderada para a evolução meteorológica até segunda-feira; baixa para atribuição da origem municipal da fumaça. As diferenças entre sistemas exigem confirmação operacional, sem somar métricas ou presumir extinção.

Impactos financeiros e passivos potenciais

A persistência dos eventos e da poluição mantém risco de aumento dos custos de combate, fiscalização, saúde, assistência e recuperação ambiental, ampliando pressões sobre os orçamentos públicos. Sem execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, a avaliação permanece qualitativa, sem valor monetário atribuível e sem conclusão de desperdício ou ineficácia dos gastos.

Fontes consultadas

SELVA — UEA

IQAir — Manaus

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais

INPE — arquivo diário de 24 de outubro

Monitor UFAM

Painel do Fogo — Censipam

INMET — previsão para 24 25 e 26 de outubro

Porto de Manaus — rio Negro

PROA — níveis dos rios

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