Alerta de melhora parcial em Manaus e ar péssimo em Parintins
As estações verificadas do SELVA indicam redução das partículas em Manaus, Itacoatiara e Maués. Em Parintins, os dois pontos acompanhados voltaram à faixa péssima, enquanto Barreirinha permanece com ar muito ruim. As novas detecções do INPE concentram atenção no leste amazonense e no oeste paraense. O quadro continua heterogêneo e não permite declarar encerramento da crise regional.
Qualidade do ar pelo SELVA
No SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, a estação UEA_EducAIR_1, em Manaus, registrava 18,5 µg/m³ de PM2,5 às 8h48, contra 47,3 ontem pela manhã. A UEA_EducAIR_32 apresentava 25,1 µg/m³ às 8h48, ante 44,0. A primeira estava na faixa boa e a segunda na faixa moderada da escala do aplicativo.
Na região de Itacoatiara, a UEA_EducAIR_27 indicava 41,3 µg/m³ às 8h47, faixa moderada, contra 111,6 ontem. Em Maués, a UEA_EducAIR_30 registrava 49,0 µg/m³ às 8h46, também moderada, próxima da faixa ruim, ante 94,9 ontem.
Parintins e entorno exigem atenção prioritária. A SEMA_DCAM_64 registrava 184,4 µg/m³ às 8h48, e a SEMA_DCAM_47, 187,6 µg/m³ às 8h47, ambas na faixa péssima. Ontem pela manhã, os mesmos pontos apresentavam 81,8 e 77,8 µg/m³. A deterioração reverte parte importante do alívio observado no domingo.
Em Barreirinha, a SEMA_DCAM_18 apresentava 97,7 µg/m³ às 8h47, faixa muito ruim, contra 156,3 ontem. Houve melhora, mas permanece concentração elevada de partículas.
São leituras pontuais de sensores não regulatórios, distintas de médias diárias municipais. A melhora em parte da rede não deve ser generalizada para todo o estado.
No IQAir, Manaus apresentava, às 8h, AQI 60 e PM2,5 de 13,9 µg/m³, contra AQI 99 e 35,2 µg/m³ ontem no mesmo horário. A plataforma utilizava três estações, ante quatro ontem; portanto, a comparação também está sujeita à mudança na composição da rede.
INPE e retomada das detecções no Amazonas
O arquivo oficial de 25/10, filtrado pelo satélite de referência AQUA_M-T, registra 81 focos no Amazonas, contra três em 24/10. A última detecção estadual desse arquivo era de 15h32 de ontem.
Os principais registros ocorreram em Barreirinha, com 13; Parintins, dez; Itacoatiara e Manaquiri, oito cada; Humaitá e Urucurituba, sete cada; Presidente Figueiredo, seis; e Nhamundá, Itapiranga e Autazes, três cada.
Nos dois últimos dias completos, 24–25/10, foram 84 focos, contra 43 em 23–24/10. Essas janelas sobrepostas não equivalem à janela móvel de 48 horas do painel. A variação confirma a necessidade de acompanhar sucessivas passagens, sem interpretar uma baixa diária isolada como extinção dos incêndios.
Ranking mensal do INPE
O acumulado de 1º a 25 de outubro, apurado nos arquivos oficiais AQUA_M-T, alcançou 2.135 focos no Amazonas, quarto maior total estadual. A apuração foi realizada nesta manhã; não foi identificado horário único de atualização do conjunto mensal.
Os principais amazonenses no ranking nacional são Lábrea, em 13º lugar, com 290 focos; Autazes, em 16º, com 203; Boca do Acre, em 18º, com 198; e Itacoatiara, em 28º, com 149.
Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, com 104; Guajará, 77; Maués, 72; Nhamundá, 70; Boa Vista do Ramos, 65; Humaitá e Manaquiri, 61 cada; Urucurituba, 60; Parintins, 56; Careiro da Várzea, 55; Borba, 54; Nova Olinda do Norte, 51; e Barreirinha, 47.
Pará e aumento das detecções no oeste do estado
O Pará registrou 908 focos AQUA_M-T em 25/10, contra 616 no dia anterior. Destacaram-se Uruará, com 164; Santarém, 96; Aveiro, 80; Mojuí dos Campos, 73; Placas, 61; Monte Alegre, 51; Rurópolis, 46; Juruti, 43; e Oriximiná, 40.
O acumulado mensal paraense chegou a 10.343 focos. No ranking nacional, São Félix do Xingu lidera, com 838; Uruará ocupa o segundo lugar, com 821; Altamira, o terceiro, com 680; Portel, o quarto, com 586; Santarém, o quinto, com 482; Aveiro, o sexto, com 470; e Itaituba, o sétimo, com 444. Mojuí dos Campos ocupa o nono lugar, com 364; Placas, o décimo, com 346; Pacajá, o 11º, com 326; e Óbidos, o 12º, com 303.
A distribuição mantém numerosas fontes potenciais de fumaça a leste do Amazonas. Não foram validadas trajetórias que comprovem a contribuição dessas emissões específicas para a poluição de Manaus ou Parintins nesta manhã.
Monitor UFAM
A atualização de 26/10 às 4h08, abrangendo 13 municípios e janela móvel de 48 horas, apresentava dois eventos ativos, ambos em Itacoatiara, contra 44 ontem.
Outros 149 eventos estavam classificados como extintos por estimativa, dos quais 85 tinham extinção incerta. A nebulosidade média da janela era de 28,6%. A redução dos ativos nesse sistema não comprova controle regional, especialmente diante das novas detecções do INPE e dos eventos ainda ativos no Censipam. São agrupamentos e critérios distintos, que não devem ser somados.
Censipam e persistência dos eventos no Amazonas
O Painel do Fogo apresentava 150 eventos ativos e 121 em observação, contra 149 e 69 ontem. A detecção mais recente disponível era de 3h54 de hoje, horário de Manaus — horário da detecção, não necessariamente da atualização integral do painel.
Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Lábrea e Autazes, com 11 cada; Itacoatiara, dez; Parintins, nove; São Sebastião do Uatumã e Humaitá, sete cada; e Boa Vista do Ramos, Barreirinha e Tefé, seis cada. Eventos compartilhados entre municípios permanecem contabilizados separadamente.
Havia eventos com 34 dias de persistência no eixo Parintins–Urucurituba; 24 dias em Itacoatiara, com indicação da Terra Indígena Paraná do Arauató; e 21 dias em Autazes, com indicação da Terra Indígena Paracuhuba.
No Pará, eram 574 eventos ativos e 808 em observação, contra 737 e 571 ontem. A detecção mais recente disponível era de 1h48 de hoje. Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Portel e Almeirim, com 35 cada; Aveiro, 32; Uruará e Oriximiná, 28 cada; Óbidos, 26; Prainha e Placas, 23 cada; e Santarém, 18.
Permaneciam eventos com 54 dias em Prainha, com indicação da Floresta Estadual do Paru, e 49 dias no eixo Mojuí dos Campos–Placas. A passagem de eventos para observação não equivale a extinção confirmada.
As contagens representam agrupamentos espaciais e temporais. Persistência não comprova chama contínua, e polígonos de fogo não representam plumas de fumaça. Severidade, expansão, área efetivamente queimada e distância das populações não foram suficientemente validadas para classificação individual.
Chuvas calor e circulação
A previsão do INMET para hoje, publicada no boletim atualizado em 23/10, indica intensificação das instabilidades, com chuva e trovoadas no Amazonas e no centro-sul do Pará, associada à possível organização de um canal de umidade. Essa previsão oferece possibilidade de alívio, mas não confirma chuva já ocorrida nem precipitação suficiente sobre todos os incêndios.
Para Manaus, o modelo exibido pelo IQAir projeta máxima próxima de 37 °C e umidade mínima em torno de 34%, com ventos de leste/sudeste pela manhã, mudança de direção à tarde e enfraquecimento noturno. São estimativas de modelo. A combinação de calor, fontes persistentes e períodos de menor ventilação mantém possibilidade de renovação da poluição, apesar da melhora matinal.
Não foi validada atualização suficiente para apresentar um prognóstico probabilístico completo dos próximos 15 dias ou novo sinal robusto com antecedência superior a 72 horas.
Rios e vazante confirmada em Manaus
O Porto de Manaus atualizou a série: o rio Negro registra 16,65 metros hoje, 26/10, queda de oito centímetros em 24 horas. As cotas publicadas para 24 e 25/10 são 16,81 e 16,73 metros, respectivamente. A vazante continua.
No Alto Solimões, as últimas leituras disponíveis na PROA eram de 25/10: Tabatinga, 2,46 metros, alta de 26 centímetros; Iquitos, 79,11 metros, alta de nove centímetros; e Santo Antônio do Içá, 2,88 metros, alta de 18 centímetros. O repiquete a montante coexiste com a descida do Negro em Manaus. Para a capital, utiliza-se a série do Porto, pois a PROA apresenta valor divergente em 25/10.
Recomendações operacionais
Saúde, educação, assistência e Defesa Civil devem priorizar Parintins, diante do retorno à faixa péssima, e manter proteção reforçada em Barreirinha, ainda com ar muito ruim. Recomenda-se reduzir a exposição externa, reavaliar atividades físicas ao ar livre e proteger especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Brigadas e fiscalização devem manter atenção ao eixo Barreirinha–Parintins–Urucurituba–Itacoatiara, aos eventos de Autazes e às ocorrências persistentes do sul amazonense, articulando informações com o oeste paraense. A melhora do ar em Manaus e a redução dos ativos estimados pela UFAM não justificam desmobilização.
Confiança da avaliação
Alta para os registros e horários verificados; moderada para a possibilidade de alívio meteorológico hoje; baixa para atribuir a origem municipal da fumaça ou antecipar sua evolução além do horizonte validado. As divergências entre sistemas exigem confirmação operacional.
Impactos financeiros e passivos potenciais
A persistência dos eventos e a oscilação da poluição mantêm risco de aumento das despesas de combate, fiscalização, saúde, assistência e recuperação ambiental. Sem informações de execução orçamentária, cobertura operacional e danos evitados, a avaliação permanece qualitativa, sem quantificação monetária ou conclusão de desperdício ou ineficácia dos gastos públicos.
Fontes consultadas
INPE — arquivos diários oficiais
INPE — arquivo diário de 25 de outubro





