Boletim de 29 de outubro – Monitoramento ambiental

Avaliação geral

Manaus apresenta melhora pontual no IQAir em relação à manhã anterior, mas o SELVA confirma concentrações elevadas em municípios do leste amazonense e do oeste paraense. Os maiores valores entre os sensores consultados estavam em Oriximiná e em dois pontos de Parintins. Aumentaram as detecções AQUA_M-T no Amazonas e os eventos classificados como ativos pelo Censipam nos dois estados. A combinação de poluição, fontes de fogo, calor previsto e possível baixa umidade exige manter proteção e resposta operacional. Não foi confirmado transporte de fumaça de municípios específicos até Manaus.

Qualidade do ar

Na camada Qualidade do Ar — Estações Reais do SELVA, produto da Universidade do Estado do Amazonas — UEA, foi confirmada em Manaus a estação UEA_EducAIR_1 com PM2,5 de 43,7 µg/m³ às 9h13min16s de 29/10. As estações UEA_EducAIR_2 e UEA_EducAIR_32 não foram localizadas com leitura validada nesta consulta e seus valores anteriores não são reapresentados como atuais.

No Amazonas, foram conferidos os seguintes registros de 29/10, em µg/m³, com horários de Manaus: Itacoatiara, UEA_EducAIR_27, 86,2 às 9h12min33s; Maués, UEA_EducAIR_30, 126,5 às 9h13min03s; Barreirinha, SEMA_DCAM_18, 91,4 às 9h12min54s; e Parintins e entorno, SEMA_DCAM_47, 184,6 às 9h11min29s, e SEMA_DCAM_64, 207,9 às 9h10min09s. A estação SEMA_DCAM_08, associada à região de Autazes pelas coordenadas −3,582238 e −59,130000, apresentava 55,6 às 9h11min57s; o nome do município não consta do identificador desse sensor.

No oeste e sudoeste paraense, os registros de 29/10 foram: Santarém (IPAM), 31,4 às 9h13min24s; Oriximiná, SEMAS_043, 260,0 às 9h12min22s; Alenquer, SEMAS_044, 56,2 às 9h12min19s; Monte Alegre, SEMAS_045, 39,1 às 9h12min19s; Belterra, SEMAS_047, 22,9 às 9h12min30s; Itaituba, SEMAS_040, 118,1 às 9h12min45s; Uruará, SEMAS_038, 46,5 às 9h11min47s; Trairão, SEMAS_049, 48,0 às 9h08min20s; Jacareacanga, SEMAS 037, 20,7 às 9h11min45s; e Novo Progresso, SEMAS_039, 33,2 às 9h11min34s.

Oriximiná e os dois pontos de Parintins exigem atenção prioritária pela magnitude das concentrações exibidas. Maués, Itaituba, Barreirinha e Itacoatiara também apresentavam valores elevados. São leituras pontuais de sensores de baixo custo, com fonte PurpleAir indicada nas fichas do SELVA; não representam médias diárias municipais, não têm finalidade regulatória e não permitem, isoladamente, aferir cumprimento de padrões baseados em médias de 24 horas.

O IQAir informou em Manaus, às 8h de 29/10, AQI US 125 e PM2,5 de 45,3 µg/m³, com quatro estações, ante AQI 151 e 56,3 µg/m³ às 8h de 28/10. A plataforma indicava condição prejudicial a grupos sensíveis. A melhora entre esses momentos não demonstra recuperação sustentada nem redução equivalente em todos os bairros. SELVA e IQAir têm cobertura e agregação distintas e seus valores não são medições equivalentes. A estimativa de modelo do IQAir para Itacoatiara não substitui a leitura real do SELVA acima.

INPE — evolução das detecções

Os arquivos diários oficiais, filtrados pelo satélite de referência AQUA_M-T, registraram 55 focos no Amazonas em 28/10, contra dois em 27/10 e 36 em 26/10. Nos dois últimos dias completos, 27–28/10, foram 57 focos, ante 38 em 26–27/10: aumento de 19 detecções, ou 50%, entre janelas sobrepostas. Esses intervalos não equivalem necessariamente à janela móvel de 48 horas do painel.

A distribuição amazonense de 28/10 foi: Parintins, nove; Barreirinha, oito; Manaquiri, seis; Nhamundá, cinco; Autazes e Manacapuru, quatro cada; Careiro, Urucurituba, Maués e Apuí, três cada; Itacoatiara e Novo Aripuanã, dois cada; Careiro da Várzea, Uarini e Boa Vista do Ramos, um cada. A última detecção estadual desse recorte ocorreu às 15h47 de 28/10.

No Pará, foram 257 focos em 28/10, contra 902 em 27/10 e 29 em 26/10. As janelas sobrepostas de 27–28/10 e 26–27/10 somaram, respectivamente, 1.159 e 931 focos. Entre os municípios relevantes à avaliação regional no dia 28: Placas, 33; Juruti e Uruará, 30 cada; Santarém, 29; Aveiro, 26; Itaituba, 14; Óbidos, 13; Prainha, dez; Monte Alegre e Altamira, nove cada; Mojuí dos Campos, oito; Oriximiná e Alenquer, sete cada. Última detecção estadual às 15h49 de 28/10.

Essas oscilações medem detecções de um satélite, sujeitas a nuvens, horários de passagem e condições de observação. Não representam contagem individual de incêndios nem variação proporcional da área queimada. Os totais diários e o ranking fecham em 28/10; não incluem como completo o dia 29.

Ranking mensal

Na apuração de 1º a 28/10/2026 dos arquivos oficiais do INPE, sob o filtro AQUA_M-T, o Amazonas acumula 2.228 focos e ocupa o quarto lugar nacional entre os estados. O Pará lidera com 11.531. As posições municipais abaixo atribuem a mesma colocação a quantitativos iguais; não foi obtido horário próprio de atualização do gráfico dinâmico do painel.

Entre os amazonenses, Lábrea ocupa a 13ª posição nacional, com 299 focos; Autazes e Boca do Acre empatam na 20ª, com 207 cada; Itacoatiara está na 29ª, com 151, também empatada. Na sequência estadual aparecem Novo Aripuanã, 108; Guajará, 85; Nhamundá, 77; Maués, 75; Manaquiri, 67; Boa Vista do Ramos, 66; Parintins, 65; Urucurituba, 63; e Humaitá, 62.

No Pará, destacam-se nacionalmente Uruará, primeiro, com 916; São Félix do Xingu, segundo, com 842; Altamira, terceiro, com 703; Portel, quarto, com 656; Santarém, quinto, com 548; Aveiro, sexto, com 503; Itaituba, sétimo, com 460; Mojuí dos Campos, oitavo, com 398; e Placas, nono, com 386. Seguem Óbidos, 12º, com 328; Monte Alegre, 14º, com 265; Rurópolis, 16º, com 229; Prainha, 17º, com 228; Juruti, 19º, com 209; Oriximiná, 23º, com 195; e Alenquer, 28º, com 163.

A concentração no oeste paraense identifica fontes potenciais de fumaça relevantes ao leste amazonense. O ranking não comprova contribuição de cada município para a poluição de Manaus; essa atribuição depende de circulação, trajetórias e evidência de plumas.

Monitor UFAM — Manaus e entorno

A atualização de 29/10 às 4h08, na janela móvel de 48 horas, indicava três eventos ativos em Manaus e entorno: Manaus, Manaquiri e Manacapuru, um em cada município. Dos 23 classificados como extintos por estimativa, 21 tinham extinção incerta por nuvens. A cobertura de nuvens estimada na passagem VIIRS da madrugada alcançava 80,5%. A ausência de novas detecções não demonstra, por si só, extinção em campo.

Na região ampliada de Parintins, foram 320 ativos, contra 70 na atualização anterior. Destacavam-se Uruará, 86; Santarém, 55; Placas, 46; e Aveiro, 22. No Amazonas, esse recorte incluía Parintins, seis; Nhamundá, três; e Urucurituba, São Sebastião do Uatumã e Barreirinha, um cada. São regiões sobrepostas, algumas abrangendo outros estados. As contagens não devem ser somadas entre recortes nem equiparadas aos eventos Censipam ou aos focos AQUA_M-T.

Censipam — aumento dos eventos ativos

A consulta matinal de 29/10 ao serviço oficial retornou 66 eventos ativos e 176 em observação associados ao Amazonas, ante sete ativos na verificação anterior. Os registros mais recentes de detecção eram de 29/10 às 1h50. A mudança pode envolver novas detecções e reclassificações; não significa automaticamente 59 novos incêndios.

Entre os eventos exclusivamente municipais, destacavam-se Parintins, 11 ativos; Maués, seis; Nhamundá e Lábrea, cinco cada; Boca do Acre e Barreirinha, quatro cada; Novo Aripuanã e Apuí, três cada. Eventos compartilhados entre municípios ficam fora desses subtotais.

Entre os persistentes amazonenses, o evento Juruti–Parintins, número 7035600, estava ativo, com 24 dias e indicação do assentamento Vila Amazônia; última detecção em 28/10 às 15h47. Em Parintins, o evento 7108859 permanecia ativo, com oito dias e última detecção em 28/10 às 20h30. Em Fonte Boa, o evento 7113497 estava ativo, com sete dias e indicação da RDS Mamirauá; última detecção em 28/10 às 14h28. Em Urucurituba, o evento 7117905 estava ativo, com seis dias e última detecção em 29/10 às 1h48.

No Pará, retornaram 688 ativos e 547 em observação, ante 375 ativos anteriormente. Entre os exclusivamente municipais: Portel, 40; Placas, 28; Uruará e Óbidos, 26 cada; Santarém, 25; Prainha, 23; Aveiro e Alenquer, 22 cada; Monte Alegre, 19; Oriximiná, 15; Mojuí dos Campos, 12; e Juruti, dez.

Permaneciam ativos os eventos de Prainha, número 6886758, com 58 dias e indicação da Floresta Estadual do Paru; Mojuí dos Campos–Placas, número 6908257, com 52 dias e assentamentos identificados; Mojuí dos Campos–Prainha–Santarém–Uruará, número 6929969, com 47 dias; e Juruti, número 6985550, com 35 dias e indicação do assentamento Juruti Velho. Os quatro registros tinham última detecção em 29/10 às 1h48; nos três primeiros, o campo última visão chegava às 8h30. Esse campo não é o horário da detecção polar nem da atualização integral do sistema.

Persistência é uma medida temporal do agrupamento e não comprova chama contínua. Área de influência não equivale a área efetivamente queimada, e polígonos de eventos não representam plumas. Severidade, expansão, distâncias das populações e terras indígenas e unidade do campo de área não foram suficientemente validadas para divulgação individual. Eventos interestaduais também impedem somar diretamente os totais de Amazonas e Pará.

Chuvas, calor e circulação

O INMET prevê para 29/10 chuva e trovoadas isoladas no sul, centro e oeste do Amazonas, com possibilidade de chuva isolada também no leste e em Manaus. Para 30/10, a instabilidade se concentra sobretudo no sul, centro, oeste e noroeste estadual. A previsão semanal até 2/11 mantém maiores acumulados no oeste, sem assegurar alívio semelhante na capital e no leste. São previsões, não chuva observada; não comprovam extinção dos eventos.

O modelo exibido pelo IQAir projeta para Manaus 38 °C em 29/10 e 39 °C em 30/10, com umidade horária próxima de 30% e 29%, respectivamente. São estimativas da plataforma, não observações atuais de estação do INMET nem confirmação de onda de calor.

Não foram validados campos de vento em altitude, trajetórias ou imagens de plumas que confirmem transporte específico do Pará até Manaus. Também não foi obtido produto probabilístico regional suficientemente verificável para antecipar agravamento com 72 horas ou sustentar tendência até aproximadamente 13/11. Não há base para afirmar melhora duradoura nesse horizonte.

Rios

A tabela do Porto de Manaus registra o rio Negro em 16,52 metros em 29/10, contra 16,55 em 28/10: queda de três centímetros em 24 horas. A vazante prossegue, com redução diária menor que os quatro centímetros do intervalo anterior e os seis centímetros registrados em 27/10.

No Alto Solimões, a PROA apresenta Iquitos em 79,43 metros em 29/10, alta de seis centímetros sobre 28/10, e Santo Antônio do Içá em 3,74 metros, alta de 11 centímetros. Para Tabatinga, o campo de 29/10 estava sem valor; a última leitura disponível era de 28/10, 2,80 metros, seis centímetros acima de 27/10. As altas locais não autorizam afirmar recuperação uniforme da bacia nem encerramento das restrições associadas à estiagem. As cotas têm referências locais e não devem ser comparadas diretamente entre estações.

Implicações operacionais e confiança

A melhora pontual do IQAir em Manaus não representa melhora regional. As leituras reais do SELVA justificam priorizar a redução da exposição em Parintins, Oriximiná, Maués, Itaituba, Barreirinha e Itacoatiara, mantendo acompanhamento de Manaus, Autazes e demais municípios monitorados. Saúde, escolas e assistência devem acompanhar a persistência das concentrações, assegurar ambientes com ar filtrado e ajustar atividades externas às condições locais de fumaça e calor, com atenção às pessoas vulneráveis.

Defesa Civil, fiscalização e combate ao fogo devem verificar os ativos do leste amazonense, entorno de Manaus e os eventos persistentes em áreas protegidas e assentamentos, mantendo acompanhamento dos classificados em observação. A chuva prevista não justifica desmobilização. A vazante do Negro mantém a necessidade de acompanhamento de abastecimento, navegação e atendimento às comunidades.

A confiança é alta na reprodução das leituras identificadas do SELVA e das contagens sob os filtros informados, sem equivalência com média municipal ou verificação de campo; moderada na interpretação do agravamento operacional do fogo e da melhora pontual do IQAir; e baixa na atribuição da origem da fumaça e na evolução além de 72 horas. O risco composto envolve poluição presente, persistência de fontes emissoras, calor previsto, possível baixa umidade e circulação capaz de transportar ou concentrar partículas.

Impactos financeiros e passivos potenciais

A persistência e a retomada das detecções mantêm risco de aumento dos custos de combate, fiscalização, saúde, assistência e recuperação ambiental. A vazante também pode ampliar custos logísticos e de abastecimento. O acompanhamento das despesas deve considerar a cobertura territorial das ações e a exposição das populações, sem presumir que queda de detecções significa redução das necessidades operacionais.

Essa avaliação é qualitativa. Sem dados de execução orçamentária, cobertura operacional, danos e resultados, não se pode atribuir valor monetário aos passivos nem concluir desperdício ou ineficácia dos gastos públicos.

Fontes consultadas

SELVA — UEA — estações reais de 29/10, leituras entre 9h08 e 9h13

IQAir — Manaus — registro de 29/10 às 8h e previsões da plataforma

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais — ranking de 1º a 28/10, AQUA_M-T

INPE — arquivo de 28/10 — último dia completo

Monitor UFAM — atualização de 29/10 às 4h08

Painel do Fogo — Censipam

Censipam — consulta Amazonas — apuração matinal de 29/10

Censipam — consulta Pará — apuração matinal de 29/10

INMET — previsão para 29 e 30/10 — publicada em 28/10

INMET — previsão semanal de 26/10 a 2/11

CPTEC — previsão subsazonal — sem probabilidades utilizáveis nesta edição

Porto de Manaus — rio Negro — tabela de 29/10

PROA — níveis dos rios — tabela de outubro de 2026

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