Boletim de 30 de outubro – Monitoramento ambiental

Avaliação geral

A redução das detecções de fogo não permite concluir melhora regional sustentada. Manaus apresentou pequena redução do indicador de poluição às 8h, mas persistem concentrações elevadas no interior. A cobertura de nuvens limita a observação dos incêndios, enquanto eventos persistentes continuam ativos no Amazonas e no Pará.

Qualidade do ar

O IQAir informou em Manaus, às 8h de hoje, PM2,5 de 41,6 µg/m³ e AQI US 116, categoria prejudicial a grupos sensíveis, com quatro estações contribuidoras. Ontem, no mesmo horário, eram 45,3 µg/m³ e AQI 125. A melhora entre esses registros é pequena e não comprova recuperação em todos os bairros ou redução da média diária.

No SELVA, foram confirmadas leituras de sensores reais, com identificação e coordenadas apresentadas nos respectivos pontos:

Barreirinha — SEMA_DCAM_18: 158,6 µg/m³, em 30/10 às 8h45.

Maués — UEA_EducAIR_30: 135,3 µg/m³, em 30/10 às 8h45.

Silves — SEMA_DCAM_56: 102,1 µg/m³, em 30/10 às 8h46.

Torre ATTO Campina: 70,3 µg/m³, em 30/10 às 8h44.

Barreirinha e Maués apresentam valores superiores aos registros municipais consultados ontem — 91,4 e 126,5 µg/m³, respectivamente. Entretanto, horários, sensores e períodos de agregação precisam ser compatibilizados antes de quantificar uma tendência. Os resultados atuais já justificam atenção operacional ao leste amazonense. São sensores de baixo custo, indicativos da situação local, sujeitos às limitações declaradas pelo SELVA; não são médias municipais nem medições regulatórias. Pontos com leitura de ontem foram excluídos da avaliação atual.

INPE — evolução das detecções

Os arquivos oficiais foram reprocessados com filtro AQUA_M-T, satélite de referência. Em 29/10, o Amazonas registrou 11 focos, contra 55 em 28/10: Boca do Acre e Tabatinga, três cada; Envira, dois; Canutama, Santo Antônio do Içá e Amaturá, um cada. A última detecção estadual desse recorte ocorreu às 16h25 de 29/10, horário de Manaus.

No Pará, foram 223 focos, contra 257 no dia anterior. Entre os municípios relevantes à análise regional: Portel, 17; Almeirim e Uruará, dez cada; Monte Alegre, oito; Óbidos, quatro; Prainha, três; Santarém, dois. Última detecção estadual: 14h49 de 29/10, horário de Manaus.

Na comparação entre dois dias completos, o Amazonas passou de 38 focos em 26–27/10 para 66 em 28–29/10; o Pará passou de 931 para 480. Assim, a queda amazonense no último dia sucede uma elevação na janela de dois dias. As contagens representam detecções, influenciadas por nuvens e condições de passagem, e não área queimada ou número de incêndios individualizados.

Ranking mensal

O cálculo com os 29 arquivos diários oficiais, no período de 1º a 29/10/2026 e com filtro AQUA_M-T, totalizou 2.239 focos no Amazonas, quarto colocado nacional entre os estados, e 11.754 no Pará, primeiro colocado. Os nove primeiros municípios coincidem com a tabela mensal exibida pelo painel. Apuração concluída nesta manhã; o painel informa fechamento em 29/10, mas não apresentou horário próprio de atualização do ranking.

Entre os amazonenses, Lábrea ocupa o 13º lugar nacional, com 299 focos; Boca do Acre, o 20º, com 210; Autazes, o 22º, com 207; e Itacoatiara, o 29º, com 151. As posições consideram a mesma colocação para quantitativos iguais.

No ranking estadual, seguem Novo Aripuanã, 108; Guajará, 85; Nhamundá, 77; Maués, 75; Manaquiri, 67; Boa Vista do Ramos, 66; Parintins, 65; Urucurituba, 63; e Humaitá, 62.

No Pará, destacam-se nacionalmente Uruará, primeiro, com 926; São Félix do Xingu, segundo, com 844; Altamira, terceiro, com 705; Portel, quarto, com 673; Santarém, quinto, com 550; Aveiro, sexto, com 503; Itaituba, sétimo, com 460; Mojuí dos Campos, oitavo, com 398; e Placas, nono, com 386. Também merecem acompanhamento Óbidos, 12º, com 332; Monte Alegre, 14º, com 273; Prainha, 16º, com 231; Rurópolis, 17º, com 229; e Juruti, 21º, com 209.

Esses municípios identificam fontes potenciais de fumaça. Não foi confirmado, nesta verificação, o transporte de suas emissões até Manaus.

Monitor UFAM — Manaus e entorno

Na atualização de 30/10 às 4h08, Manaus e entorno apresentou quatro agrupamentos ativos, em Manaquiri, Careiro, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. Dos 51 classificados como extintos por estimativa, 49 tinham incerteza por nuvens. A cobertura estimada na passagem VIIRS da madrugada alcançou 89% da região.

No recorte ampliado de Parintins, apareceram 55 ativos, contra 320 na atualização anterior, e 871 estimados como extintos, dos quais 411 com incerteza por nuvens. A cobertura da passagem noturna foi de 82%. Essas reduções não demonstram extinção proporcional em campo. Os agrupamentos da UFAM têm método e abrangência próprios e não devem ser somados aos eventos do Censipam ou aos focos AQUA_M-T.

Censipam — ativos, localização e persistência

A consulta oficial retornou 56 eventos ativos e 109 em observação associados ao Amazonas, ante 66 ativos e 176 em observação ontem. A detecção mais recente do conjunto era de 30/10 às 2h14, horário de Manaus.

Entre os eventos exclusivamente municipais: Nhamundá, seis ativos; Amaturá, Barreirinha e Envira, quatro cada; Apuí, Boa Vista do Ramos, Borba, Manaquiri, Novo Aripuanã e Parintins, três cada. Existem também eventos compartilhados entre municípios, excluídos desses subtotais.

Prioridades pela persistência e localização:

Juruti–Parintins, evento 7035600: ativo, 25 dias, associado ao assentamento Vila Amazônia; última detecção em 30/10 às 1h29.

São Paulo de Olivença, evento 7090122: ativo, 14 dias; última detecção em 29/10 às 14h28.

Novo Aripuanã, evento 7097132: ativo, 12 dias; última detecção em 29/10 às 14h09.

Urucurituba, evento 7117905: ativo, sete dias; última detecção em 30/10 às 1h29.

Presidente Figueiredo, evento 7119687: ativo, seis dias, com indicação da APA de Presidente Figueiredo–Caverna do Moroaga; última detecção em 30/10 às 1h29.

No Pará, retornaram 538 ativos e 677 em observação, ante 688 ativos ontem. Entre os exclusivamente municipais do recorte de interesse: Oriximiná e Aveiro, 23 cada; Óbidos, 21; Prainha, 18; Placas, 17; Alenquer, 15; Uruará, 14; Monte Alegre, 11; Santarém, dez; Juruti e Mojuí dos Campos, seis cada.

Permanecem ativos os eventos 6886758, Almeirim–Prainha, com 59 dias e indicação da Floresta Estadual do Paru; 6908257, Mojuí dos Campos–Placas, com 53 dias; 6929969, Mojuí dos Campos–Prainha–Santarém–Uruará, com 48 dias; e 6985550, Juruti, com 36 dias e indicação do assentamento Juruti Velho. Suas últimas detecções ocorreram nesta madrugada, entre 1h10 e 3h07, horário de Manaus. A inclusão de Almeirim na localização do primeiro evento não comprova, isoladamente, expansão física desde ontem.

Chuvas, calor e circulação

A previsão do INMET publicada em 29/10 às 14h23, atualizada às 14h48, indica chuvas no Amazonas durante o fim de semana e em 2/11, com distribuição irregular. Para Manaus, prevê 36 °C em 2/11, sinal disponível com cerca de 72 horas de antecedência. O boletim descreve um canal de umidade entre Norte, Centro-Oeste e Sudeste; isso não confirma transporte de fumaça do Pará para a capital.

A previsão por capital recuperada na pesquisa indica 35 °C e umidade mínima de 50% em Manaus hoje, com ventos fracos a moderados e direções variáveis. Esses são valores previstos, não observações de estação.

Implicações operacionais e confiança

A confiança é alta nas contagens sob os filtros informados, moderada na avaliação da exposição local ao PM2,5 e baixa na atribuição da origem da fumaça e na evolução além de 72 horas. O risco composto permanece pela coexistência de fogo, poluição e calor; eventual ventilação desfavorável pode agravá-lo, mas essa coincidência não foi demonstrada.

Defesa Civil e combate ao fogo devem verificar os eventos persistentes e os registros em áreas protegidas e assentamentos, mantendo vigilância sob nuvens. Saúde e assistência devem priorizar ambientes com ar filtrado e proteção dos vulneráveis. Escolas devem ajustar atividades externas às condições locais de fumaça e calor. Meio ambiente deve preservar fiscalização e acompanhamento dos eventos em observação. Chuva prevista e menor número de detecções não justificam desmobilização.

Fontes consultadas

SELVA — UEA — leituras de 30/10 entre 8h44 e 8h46

IQAir — Manaus — registro de 30/10 às 8h

INPE — Situação Atual

INPE — arquivos diários oficiais — ranking de 1º a 29/10, AQUA_M-T

INPE — arquivo de 29/10 — último dia completo

Monitor UFAM — atualização de 30/10 às 4h08

Painel do Fogo — Censipam

Censipam — consulta Amazonas

Censipam — consulta Pará

INMET — previsão até 2/11 — publicada em 29/10

INMET — previsão por capital

CPTEC — previsão subsazonal

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